Allyson Bezerra, Álvaro Dias e Cadu disputaram entre si as duas vagas que levariam ao segundo turno. As pesquisas recentes mostravam uma disputa ainda aberta, com os três candidatos aparecendo em posições relevantes e diferenças que variavam conforme o instituto. Mas há uma coisa mais importante que os números: saber o que acontecerá depois deles.
Uma eleição não deveria servir apenas para decidir quem se sentará na cadeira do governador.
Deveria servir para discutir que estado queremos construir. E talvez o Rio Grande do Norte esteja precisando menos de uma guerra de torcidas e mais de uma conversa sobre a casa.
Há muito tempo discutimos como se política fosse uma escolha entre absolutos. Um lado quer mais Estado e outro quer menos Estado. Um fala em proteção social e outro em eficiência. No meio disso, a escola continua precisando de professor, o hospital continua precisando funcionar e o jovem continua querendo descobrir se existe algum lugar para ele aqui.
O Rio Grande do Norte precisa de crescimento, mas não de qualquer crescimento, precisa de responsabilidade fiscal, mas não pode transformar as contas públicas em uma abstração enquanto pessoas continuam sem oportunidades, precisa de políticas sociais, mas precisa também criar condições para que essas políticas deixem de ser necessárias para sempre, precisa de iniciativa privada, mas também de um Estado capaz de planejar e prestar bons serviços. Não é uma terceira via eleitoral. É uma terceira coisa: um projeto que sobreviva ao governador da vez.
porque o que falta ao Rio Grande do Norte não pode ser resolvido em quatro anos. Educação, saúde, segurança, infraestrutura, ciência, tecnologia, saneamento, desenvolvimento regional e geração de emprego exigem continuidade. Um governo começa, outro termina, mas uma criança que entra na escola hoje terá de continuar sendo educada amanhã, pouco importando quem ganhou a eleição.
Um dos maiores erros da política é imaginar que toda administração precisa começar o mundo novamente. Um estado forte não se constrói assim. É necessário estabelecer algumas coisas que não sejam de Allyson, de Álvaro ou de Cadu e sim do Rio Grande do Norte. Metas de educação que atravessem governos, um plano de desenvolvimento econômico que não dependa do humor eleitoral, investimentos em infraestrutura que obedeçam a prioridades públicas e não apenas à conveniência política. Uma política de segurança que combine autoridade, prevenção e inteligência. Uma administração que gaste melhor, arrecade com justiça e saiba dizer não quando o dinheiro não existe.
Vá lá, isso não é muito romântico. Entretanto, o futuro do estado é feito justamente dessas coisas pouco românticas. O segundo turno levou adiante dois – Alysson e Cadu – dos três nomes que disputaram as duas vagas. Qualquer que seja a composição da disputa, o que deveria vir depois é maior que a própria eleição: uma discussão sobre aquilo que os candidatos pretendem fazer com a casa.
O Rio Grande do Norte precisa de um projeto que sobreviva às eleições. Porque, no fim, a casa é nossa e quando a eleição terminar, qualquer que seja o resultado, a vida segue.
Historiador
