Por Bruna Torres
Bairro Pajuçara, zona norte de Natal. O cenário na rua da Garoupa, nas proximidades da lagoa de captação, há muito tempo revolta os moradores da região: Uma verdadeira cratera no meio da via, se tornou um desafio para quem deseja transitar pelo local, seja de carro, moto ou até mesmo a pé.
O enorme buraco já atinge de uma ponta a outra da rua e segue avançando pelo calçamento. Para piorar, o lixo também é uma preocupação se acumulando no local e tornando o ambiente propício para doenças, com pombos e urubus a todo o momento em torno dos dejetos que variam entre animais mortos, malas, televisores e restos de alimentos.
Durante o período das chuvas há um agravante, mas quem convive com a cena diariamente, afirma que faz tempo que a chuva já deixou de ser uma desculpa. “Passou a chuva e ninguém resolveu, né? Nem resolve e nem vai. E esse buraco prejudica muito. Nós temos uma creche aqui, as mães e os pais para vir deixar as crianças é a maior dificuldade para passar lá. Tem que vir por outra rua. Faltam os vereadores tomarem atitude, porque os vereadores daqui só vem de quatro em quatro anos, pedindo voto. Se o vereador cobrasse do prefeito, talvez resolvesse”. desabafa Valdir Moura, morador do bairro há mais de 30 anos.
A creche a que o morador se refere é o CMEI Padre Sabino Gentille. Sirlia Lima, diretora administrativa, também reforça que além dos transtornos causados só pelo buraco, o lixo atrai muita mosca, ratos e baratas, um perigo a mais para garantir a integridade da saúde das cerca de 394 crianças da unidade, com idades entre 1 a 6 anos, nos turnos matutino e vespertino. “É o caminho dos pais passarem com as crianças e às vezes passam por cima do lixo e do buraco também, principalmente quando chove. Constantemente, no meio da rua tem um mau cheiro”.
A coordenadora pedagógica do CMEI, Ceiça Marinho, chama atenção para a responsabilidade da população no agravamento do quadro. Afinal, embora o descaso na região seja grande, são os próprios moradores que colaboram com o lixo sendo despejado de forma errada. “Nós já fizemos projetos de urbanização, já tentamos plantar árvores ali com as crianças, mas não adianta. Se planta num dia e no outro as pessoas vêm e jogam o lixo por cima. Alguns moradores tentaram plantar alguma coisa no entorno da lagoa, mas do outro já tem lixo. Começaram a colocar lixo no terreno atrás da escola que daqui a pouco vai se tornar uma ilha no meio do lixo, a lagoa na frente, um terreno com lixo do lado e outro atrás”.
Problemas se repetem por outras ruas do bairro e impactam no comércio
Não muito longe da rua da Garoupa, também no Pajuçara, os moradores da rua dos Pioneiros relatam que muitas vezes se sentem prisioneiros em suas próprias casas. Os buracos se abrem formando fendas que dificultam os trajetos a pé e, muitas vezes, inviabilizam a passagem de carros. Tábuas colocadas pela população sinalizam o perigo.
Ivanildo Marinho, comerciante já com uma idade avançada, afirma que a cada dia a situação piora, prejudicando principalmente aqueles com dificuldade de locomoção e refletindo também em baixo movimento no comércio. O problema de longa data faz com que os moradores se sintam invisíveis.
“Tem muita gente aqui que cai, tem dificuldade para andar. Um bocado já foi embora, já tem muita casa desocupada. Quando chove é pior que a água entra em muitas casas e derruba tudo. Se pudesse eu já teria saído daqui, é muito difícil a situação”.
O desejo de mudança é compartilhado por outros na vizinhança, mas as limitações financeiras impedem a realização de sonhos como os da também comerciante e moradora da rua dos pioneiros, Gildênia dos Santos. “É bem difícil, porque a gente depende de pessoas indo e vindo, e aqui nessa buraqueira não passa. Até sem chuva mesmo, porque o carro não atravessa, não vai passar pelo buraco. Até por causa disso, o aluguel aqui se torna bem barato. Então, nesse caso, compensa para a gente por uma parte. Mas se a gente tivesse condições de sair daqui, a gente já tinha saído”.
O jeito que ela e o marido encontraram para tentar melhorar a entrada de faturamento no negócio de onde tiram o sustento da família, foi o revezamento se dividindo em dois turnos. “É muito desafiador. Vamos colocar um ‘24 horas’, eu fico durante o dia e ele à noite para ver se arrecadamos mais alguma coisa”.

