O dólar disparou mais de 12% na manhã desta segunda-feira (26), primeiro dia de negociações após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por volta das 9h30, a moeda norte-americana registrava alta de 12,52%, sendo negociada a R$ 5,60, em meio à forte volatilidade no mercado financeiro brasileiro.
A valorização ocorre após a vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado neste domingo (25). O presidente foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário, garantindo seu quarto mandato à frente do Palácio do Planalto.
Na sexta-feira (23), último pregão antes da votação, o dólar comercial havia encerrado as negociações cotado a R$ 4,9931. Já na abertura desta segunda-feira, a moeda apresentou valorização de 8,64%, chegando a R$ 5,4247, antes de ampliar os ganhos ao longo da manhã.
A reação do mercado financeiro reflete uma mudança nas expectativas dos investidores, que, em grande parte, apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro e em uma possível alteração na condução da política econômica. Com a continuidade do governo Lula, operadores passaram a revisar suas posições diante das perspectivas para as contas públicas, a trajetória da dívida e a política fiscal.
A forte oscilação levou a B3, responsável pela bolsa de valores brasileira, a ampliar os limites de variação dos contratos futuros de dólar. A medida busca permitir a continuidade das negociações em um cenário de volatilidade excepcional.
Além do câmbio, o mercado de juros futuros também registrou pressão. Por volta das 9h45, a taxa dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2031 avançava 182 pontos-base, chegando a 14,46%, sinalizando uma revisão das expectativas dos investidores sobre os juros brasileiros.

