A Polícia Federal (PF) passou a acompanhar com atenção a viagem internacional do advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), em meio a investigações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e irregularidades relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (19) pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, investigadores consideram a hipótese de que a saída do país tenha ocorrido para evitar eventuais medidas cautelares.
O advogado confirmou à coluna que viajou para o exterior na semana passada, acompanhado da esposa e dos dois filhos. Ele ressaltou, entretanto, que não existe qualquer determinação judicial que o impeça de deixar o Brasil. A suspeita de fuga não foi comprovada, e a viagem, por si só, não constitui irregularidade.
Novo inquérito contra Flávio chegou ao STF em outubro
A viagem ocorreu poucos dias depois de a Polícia Federal encaminhar ao Supremo Tribunal Federal (STF) um novo inquérito envolvendo Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz.
A investigação chegou à Corte em 8 de outubro e tem como objetivo apurar suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas aos vínculos financeiros entre o senador e o advogado.
O procedimento foi distribuído por sorteio ao ministro Alexandre de Moraes, que ficou responsável pela relatoria.
Segundo o Metrópoles, a proximidade entre a abertura do inquérito e a viagem internacional despertou a atenção dos investigadores, que passaram a considerar a possibilidade de o advogado ter deixado o país para evitar medidas judiciais.
Não há, contudo, confirmação pública de que Willer tenha sido informado previamente sobre eventuais medidas cautelares ou de que exista ordem de prisão contra ele.
PF investiga vínculos financeiros entre advogado e senador
A relação entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro aparece em documentos analisados pela Polícia Federal. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, os investigadores identificaram pagamentos de viagens internacionais do senador realizados por uma empresa ligada ao advogado.
Em 2025, Flávio e Willer viajaram juntos pela Europa, incluindo deslocamentos entre Portugal e França. Parte dos trajetos teria sido custeada pela Cathedral, empresa registrada na Ilha da Madeira e ligada ao setor de apostas.
Outra informação identificada nas investigações envolve uma conta bancária de uma empresa pertencente ao advogado, na qual o nome de Flávio Bolsonaro teria aparecido como usuário com poderes de movimentação.
Os investigadores apuram se essas relações financeiras possuem conexão com eventuais operações de lavagem de dinheiro.
O senador afirma que mantém uma relação de amizade com Willer Tomaz. O advogado, por sua vez, nega irregularidades e sustenta que os deslocamentos internacionais ocorreram em caráter pessoal.
Advogado também aparece em investigação relacionada ao INSS
Willer Tomaz é citado em apurações da Polícia Federal relacionadas à Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS.
A operação foi deflagrada após a identificação de suspeitas de cobranças indevidas realizadas por entidades associativas sobre benefícios previdenciários.
Segundo o Metrópoles, o nome do advogado aparece em um procedimento relacionado às investigações. A defesa, entretanto, contesta que ele seja investigado por participação nas fraudes contra aposentados e pensionistas.
Em manifestação divulgada após a repercussão da viagem, Willer afirmou que o procedimento em andamento diz respeito à propriedade de um imóvel, e não a fraudes previdenciárias.
Defesa nega irregularidades e afirma que viagem é legal
Em resposta à reportagem, Willer Tomaz afirmou que possui endereços residenciais e comerciais conhecidos e que não está submetido a nenhuma restrição judicial de deslocamento.
O advogado também negou envolvimento nas fraudes do INSS e contestou a interpretação de que sua viagem teria relação com uma tentativa de escapar das investigações.

