A Polícia Federal (PF) prendeu, na manhã desta quinta-feira (15), o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil-RJ), aliado político do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). Ex-prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Canella foi o segundo candidato a deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro nas eleições de 2026, com 197.178 votos. A prisão ocorreu durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar postos de combustíveis para lavagem de dinheiro.
Além de Canella, foi preso o delegado Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro. A operação também teve como alvos policiais civis suspeitos de envolvimento no esquema criminoso.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Federal, a investigação identificou uma rede de empresas supostamente utilizada para ocultar e dar aparência de legalidade a recursos de origem criminosa. Um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos.
A operação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), prevê o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em sete municípios fluminenses: Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.
A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas investigadas. Desse total, 96 são postos de combustíveis apontados como parte da estrutura utilizada para a suposta lavagem de dinheiro.
Aliado de Flávio Bolsonaro já havia sido preso com fuzil
Márcio Canella mantém uma relação política com Flávio Bolsonaro e chegou a ser apresentado como pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro com o apoio do parlamentar do PL. Na composição política discutida para a disputa, Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio e ex-mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro, seria suplente de Canella.
Em julho deste ano, o político foi preso em flagrante durante outra fase da Operação Unha e Carne, depois que agentes federais encontraram um fuzil de uso restrito em seu veículo. Na ocasião, Canella negou ser proprietário da arma.
Posteriormente, Alexandre de Moraes revogou a prisão preventiva e determinou medidas cautelares. Após o episódio, Canella abandonou a pré-candidatura ao Senado e decidiu disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Mesmo diante das investigações, o político conquistou 197.178 votos nas eleições de 4 de outubro, ficando atrás de apenas um candidato na disputa por vagas na Alerj. Canella também preside o diretório estadual do União Brasil no Rio de Janeiro.
Investigação aponta suspeitas de ligação com organizações criminosas
A Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro chegou a pedir o indeferimento da candidatura de Canella à Alerj, citando a prisão anterior e investigações sobre supostas ligações do político com o crime organizado. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), entretanto, autorizou sua participação nas eleições.
De acordo com informações das investigações conduzidas pela PF e pelo Ministério Público, Canella também é investigado por suspeitas relacionadas à nomeação de pessoas ligadas a organizações paramilitares e familiares de lideranças de milícias para cargos públicos. O político nega as acusações.
A oitava fase da Operação Unha e Carne integra os esforços da Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas no Rio de Janeiro. Conforme a corporação, os investigados poderão responder, de acordo com suas condutas individuais, por crimes como organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional e formação de cartel.

