ESTRATÉGIA
A campanha eleitoral para governador do RN vai chegando ao seu final. E se configura um erro estratégico fatal em relação à Álvaro Dias. O erro foi poupar Allyson Bezerra desde o início da pré-campanha, acreditando que o ex-prefeito de Mossoró poderia ser seu aliado no segundo turno.
EQUÍVOCO
Álvaro Dias imaginou que a polarização nacional iria produzir um cenário de disputa entre ele e Cadu de Lula. O raciocínio inicial tinha consistência. Afinal, o cenário nacional poderia ser reproduzido aqui também. A questão foi cronológica. Política não é estática; é dinâmica.
LIVRE
Diante do cenário projetado em sua avaliação pessoal, alinhado com o marketeiro Alexandre Macedo, resolveu poupar Allyson justamente no período em que o menino do chapéu de couro começava a entrar em Natal. Livre e sem contraponto, Allyson montou acampamento no quintal de Álvaro. Depois, usou a sala, a cozinha, o banheiro e se apossou até da suíte. Sem ser incomodado.
CRESCIMENTO
Sem ter oposição, Allyson ficou à vontade para pintar uma Mossoró de conto de fadas, que só existia na mídia fabricada. E foi crescendo. E cresceu justamente no eleitorado de Álvaro, que perdia tempo dizendo que ia ‘varrer o PT’ do RN e do Brasil. Estratégia mais furada que tábua de pirulito.
DESPERTAR
A estratégia furada de Álvaro Dias só foi percebida pela campanha quando não havia mais tempo de reação. A invasão mossoroense na capital se consolidou. Álvaro abandonou Natal e não prosperou em Mossoró. E poupou Allyson até despertar que seu adversário não seria aliado no segundo turno porque o próprio Álvaro estava correndo risco de não ir para o segundo turno.
CENÁRIO
Hoje, o cenário é de uma disputa de segundo turno entre Allyson Bezerra e Cadu de Lula. Com Álvaro Dias fora. Seu olhar míope, de seu marketing e de sua campanha, produziram uma derrota precoce, sem direito a lutar pela vitória.
PASSADO
Não foi por falta de aviso. A coluna alertou várias vezes que essa estratégia de poupar adversário antes do tempo pensando que ele pode ser aliado no segundo turno, já havia sido posta em prática em 2002 e deu errado.
PASSADO II
Em 2002, a disputa aparentemente seria protagonizada por dois Fernando. O Freire, que estava no exercício do mandato de governador; e o Bezerra, que era senador. Ambos apoiados por duas grandes máquinas políticas. Os Maia com Bezerra e os Alves com Freire.
PASSADO III
Wilma de Faria havia renunciado à Prefeitura de Natal num cenário aparentemente adverso para enfrentar essas estruturas. Contou com erro estratégico dos dois principais candidatos. Freire e Bezerra pouparam Wilma sob o argumento que a mãe de Márcia seria uma excelente aliada no segundo turno.
PASSADO IV
Sem ser incomodada, Wilma percorreu o estado com suas ‘baratinhas’ de som. Longe dos holofotes, batia forte em Fernando Freire e também em Fernando Bezerra. Enquanto isso, os dois se digladiavam. Um chamando o outro de ladrão. E Wilma dizendo que os dois estavam certos.
RESULTADO
O resultado do erro estratégico de pensar no segundo turno sem passar pelo primeiro, fez com que Fernando Bezerra ficasse em terceiro lugar, Wilma assumisse a liderança com uma confortável distância sobre Fernando Freire. No segundo turno, a Guerreira ganhou a eleição com quase 300 mil votos de maioria. Um erro de leitura do cenário produz uma inevitável e irreversível derrota.

