GUERRAS SANTA, POLÍTICA E INSTITUCIONAL
Dizem que o Brasil não é para principiantes, mas a reta final desta campanha eleitoral elevou o sarrafo a um nível que desafia até os pós-doutores em surrealismo tropical. A poucos dias de o eleitorado marchar em direção às urnas para renovar o estoque cívico da nação — de presidente a deputado estadual —, a sensação não é a de um país em desenvolvimento buscando redenção econômica, mas a de quem comprou ingresso para um circo de variedades onde até os trapezistas foram intimados a depor.
No topo da pirâmide, a corrida ao Palácio do Planalto ofereceu um espetáculo de ilusionismo às avessas. Quando não eram os próprios postulantes pegos em curvas nada retas da moralidade, eram filhos, sobrinhos, tesoureiros e assessores ilustres que surgiam em manchetes nada republicanas. A política nacional, fiel à sua vocação familiar, transformou o compadrio das maracutaias numa espécie de cooperativa doméstica: a culpa nunca é do titular, mas o DNA nunca mente.
Como desgraça pouca é bobagem, a fogueira das vaidades ganhou combustível de altíssima octanagem vindo do topo do Judiciário. De um lado, a saga novelesca do Banco Master e de Daniel Vorcaro, com mensagens vazadas, delongas processuais de tirar o fôlego e ministros citados em enredos que misturam cifras bilionárias e acusações de favorecimento. De outro, uma autêntica rinha institucional: o confronto direto entre excelências do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF).
A disputa virou um duelo de canetadas: enquanto um ministro no TSE manda censurar e barrar publicações eleitorais, outro colega, empoleirado na cadeira do STF, desce a marreta monocrática, cassa a ordem e joga a autoridade do tribunal eleitoral no chão. É o fenômeno da autoimolação da toga em praça pública, onde ministros trocam farpas jurídicas na velocidade de um tuíte, deixando claro que, na Praça dos Três Poderes, a segurança jurídica virou artigo de brechó.
Descendo aterrissamos no chão potiguar, onde o roteiro local não deixou a desejar em matéria de cinismo. Na disputa pelo governo do nosso RN, o enredo ganhou tintas trágicas com candidato enrolado até o pescoço em denúncias de desvios no dinheiro sagrado da saúde pública. Enquanto o cidadão padece na fila da UPA rezando por um analgésico, a verba do SUS parece evaporar em engrenagens que fariam corar qualquer larápio de romance picaresco.
Mas o ápice do absurdo sobrou para o campo da fé. Numa eleição já sem rumo, conseguiram arrastar a própria Nossa Senhora Aparecida para o palanque. Numa querela insólita envolvendo a CNBB, lideranças evangélicas e acusações de guerrilha digital, transformaram a Padroeira do Brasil em tema de disputa sobre suposta destituição celestial. Chegamos ao requinte de politizar o manto sagrado — e de gerar bate-boca entre cortes para ver quem podia ou não falar da Santa — antes de discutir a inflação do feijão. Faltou apenas proporem CPI para apurar a jurisdição do Paraíso.
Diante desse carnaval de escândalos bancários, guerras fratricidas entre TSE e STF, parentelas suspeitas, roubalheiras hospitalares e disputas santas, o eleitor chega ao domingo com a pergunta que ninguém no palanque quis responder: para onde vai o Brasil? Enquanto vizinhos latino-americanos disputam mercados e debatem tecnologia, produtividade e transição energética, nós gastamos as semanas discutindo delações, liminares cruzadas e teologia de WhatsApp.
Vimos de tudo nessa campanha. Só não vimos, nem com lupa de alta precisão, uma mísera proposta concreta capaz de arrancar o país do atoleiro. No próximo domingo, resta ao brasileiro apertar “confirma” e, independentemente de quem seja a padroeira, rezar muito. Porque governar por milagre é a única estratégia que sobrou.
DEBATE
Vamos caminhando para o 1º turno da eleição presidencial sem um debate de ideias, de propostas, de programas governamentais. Lula se esquivou até mesmo de participar do último debate da TV Globo.
DEBATE 2
Acompanhando decisão de Lula não participar dos debates, Flávio Bolsonaro também abdicou do debate de ideias com os demais presidenciais nas demais TVS, mas aceitou a participar do último debate da TV Globo, mesmo sem a presença de Lula.
WALTER
O MDB, presidido no estado pelo vice-governador Walter Alves, está fazendo um esforço hercúleo para fortalecer uma bancada na Assembleia Legislativa.
MDB
O ex-governador Garibaldi Filho vestiu a camisa verde e no alto dos seus 79 anos de idade tem percorrido municípios, bairros e ruas com o objetivo de fortalecer a candidatura de Waltinho para deputado estadual, mas também tem procurado dar musculatura para a legenda.
MDB 2
Observadores da política tupiniquim têm avaliado que os nomes de Walter Alves, Bibiano, Professor Luiz Carlos, Ivan Junior e Antônio Jácome – não necessariamente nessa ordem – são os mais fortes para possibilitar até 3 vagas do MDB na Assembleia Legislativa.

