Por Fernanda Sabino
A retomada de discursos que colocam em dúvida a vacinação e as medidas adotadas durante a pandemia de Covid-19 provocou reação da vereadora Thabatta Pimenta (PV), candidata a deputada federal. Em entrevista ao Diário do RN, ela criticou o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), classificou o discurso como negacionista e afirmou que pretende enfrentá-lo no Congresso Nacional. Para Thabatta, o tema também é pessoal, já que perdeu a mãe durante a pandemia.
Thabatta afirma que discursos que voltam a colocar em dúvida a vacinação ignoram as milhares de vidas perdidas no país. A candidata acusou Nikolas de utilizar as redes sociais para disseminar informações falsas.
“É mais uma vez o bolsonarismo querendo negar a vacina. Nikolas Ferreira utiliza suas redes para espalhar fake news. Não é possível que, diante de mais de 716 mil vidas perdidas, de tantas pesquisas, evidências e conclusões científicas, alguém continue espalhando mentira sobre a maior pandemia da história recente”, criticou.
O assunto ganha dimensão pessoal para a candidata. Thabatta perdeu a mãe, que atuava na área da saúde, vítima da Covid-19. Segundo ela, a experiência faz com que a defesa da vacinação ultrapasse a divergência política.
“Minha mãe foi uma das vítimas da Covid. Eu nunca vou esquecer. Vai ser algo que sempre vou debater, porque uma parte de mim foi embora. Para mim, esse debate nunca foi uma teoria. É sobre a minha vida e a minha família”, afirmou.
A candidata também criticou a defesa da hidroxicloroquina como tratamento para a doença. “A vacina salvou vidas. Eles ainda insistem nisso, em vender a cloroquina como cura. Essa política dos extremistas, para mim, é a política da morte. É uma necropolítica que a gente precisa enfrentar”, declarou.
Questionada se está preparada para fazer esse enfrentamento no Congresso, afirmou: “Não só com Nikolas, mas com tantos outros que defendem esse mesmo discurso. É uma pauta muito cara para mim e não tem como esquecer o que a gente viveu neste país”.
A reação ocorre após o deputado Nikolas Ferreira publicar um vídeo sobre o depoimento do ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, Anthony Fauci, ao Congresso americano. Na publicação, o deputado fez afirmações, sem apresentar evidências, sobre Fauci e a vacinação e voltou a defender a hidroxicloroquina contra a Covid-19.
Crescimento e adesões
No campo eleitoral, Thabatta afirmou estar otimista com o novo momento da candidatura à Câmara dos Deputados e atribuiu o desempenho nas pesquisas ao reconhecimento conquistado também fora da capital.
“Estou muito feliz com o reconhecimento das pesquisas, colocando a gente muitas vezes em primeiro lugar. Isso é um reconhecimento não só da atuação dentro da capital, mas também do interior do Estado”, avaliou.
Natural de Carnaúba dos Dantas, ela aposta nessa identificação para ampliar sua presença estadual. “É exatamente do tamborete, lá da feira de Carnaúba, que eu vou chegar ao Congresso Nacional”, afirmou.
Thabatta também diz receber manifestações de apoio fora do campo da esquerda. “Onde eu chego, vejo pessoas até de direita e de centro dizendo que vão comigo. Entenderam que a minha luta é totalmente para além da bolha em que querem me colocar”, disse.
Federação aposta em quatro cadeiras
Apesar da presença de nomes competitivos na Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdo B), Thabatta rejeita uma disputa interna entre as candidaturas e aposta na ampliação da bancada na Câmara Federal.
“Na nossa Federação, a gente tem unidade. Eu não fico brigando com fulano ou sicrano. Quem vai ganhar é quem tiver mais votos”, afirmou.
A candidata acredita que o desempenho conjunto pode levar o grupo a quatro cadeiras. “Se todo mundo se empenhar, do jeito que eu estou me empenhando, acredito que a gente vai ter uns quatro deputados federais. É isso que é importante”, projetou.
Thabatta também destaca como diferencial a representação de grupos historicamente sub-representados. “Eu não apenas luto pela bandeira das pessoas LGBT ou das pessoas com deficiência. Eu sou a própria bandeira. É hora de ter esses corpos numa representação real”, concluiu.

