Após 13 noites consecutivas de bombardeios cada vez mais intensos, que levaram o Irã a atacar bases dos Estados Unidos em países da região como represália, o presidente americano, Donald Trump, suspendeu a campanha militar durante o fim de semana.
O Irã declarou que também suspenderia seus ataques enquanto durasse a pausa dos bombardeios americanos.
Já nesta segunda-feira (27), Teerã afirmou que ainda detém o controle do Estreito de Ormuz e que não busca retomar as negociações de paz com os EUA.
A decisão de Trump de suspender a campanha refletiu a recomendação de seus principais comandantes militares de que os bombardeios — cujo objetivo era quebrar o domínio do Irã sobre o estreito — haviam atingido o limite de sua eficácia, segundo uma autoridade americana e relatos amplamente divulgados pela imprensa americana.
Uma autoridade americana disse à agência de notícias Reuters que comandantes militares haviam informado ao presidente que os alvos estavam se esgotando.
Segundo a fonte, o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, também havia expressado preocupação com a escassez de armamentos de defesa aérea usados para proteger as bases dos EUA na região.
Relatos semelhantes, indicando que assessores civis e militares haviam aconselhado Trump a interromper a campanha, foram divulgados no fim de semana pelo New York Times, pelo Axios e por outros veículos de imprensa.
O embaixador dos EUA nas Nações Unidas, Mike Waltz, disse no domingo (26) que Trump havia suspendido a campanha para abrir espaço para negociações.
No entanto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou em uma coletiva de imprensa televisionada nesta segunda-feira (27) que o Irã não havia solicitado a retomada das negociações de paz com os Estados Unidos.
O fim da campanha de bombardeios dos EUA fez os preços do petróleo despencarem, na expectativa de que o fluxo do abastecimento global — até então interrompido — pudesse ser retomado.
O petróleo tipo Brent, que na semana passada havia superado brevemente a marca de US$ 100 o barril pela primeira vez desde maio, caiu cerca de 7,8% na manhã de segunda-feira, situando-se pouco abaixo de US$ 90.
No entanto, em uma tentativa clara de sinalizar que os bombardeios americanos não haviam atingido seu objetivo, Teerã indicou que ainda detinha o controle da via navegável mais importante do mundo para os mercados de energia.
As duas semanas de novos bombardeios dos EUA mataram dezenas de pessoas no Irã e destruíram pontes e túneis no sul do país, além de alvos militares.
Quatro militares americanos morreram em decorrência de disparos de retaliação do Irã contra bases dos EUA em países árabes vizinhos.
O Irã também atingiu infraestruturas civis em países do Golfo, no que descreveu como uma resposta aos ataques americanos contra alvos civis.
Na semana passada, os Houthis — aliados do Irã — ameaçaram estender a perturbação do abastecimento global de petróleo a uma segunda via navegável importante, ao anunciarem um bloqueio à indústria petrolífera da Arábia Saudita no Mar Vermelho, o que impulsionou ainda mais os preços do petróleo.
A suspensão da nova campanha de bombardeios dos EUA deixa incerto qual poder de pressão Washington pode exercer para alcançar o objetivo de Trump de quebrar o controle iraniano sobre o estreito.
Acordo provisório
Washington e Teerã chegaram a um acordo em junho sobre as bases para negociações — previstas para ocorrer até o final de agosto — destinadas a resolver questões importantes, como o programa nuclear iraniano.
No entanto, as partes divergem quanto à interpretação dos termos do memorando referentes ao Estreito de Ormuz: Washington insiste que o texto exige que Teerã permita a livre navegação, enquanto o Irã afirma que o documento lhe confere autoridade para supervisionar o trânsito.
O Irã busca formalizar seu controle sobre o estreito mediante um acordo com Omã, país que controla a margem oposta. Uma delegação de alto escalão de Omã esteve em Teerã durante o fim de semana para discutir o futuro do estreito.
Os ministros das Relações Exteriores do Catar, dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita realizaram, separadamente, conversas telefônicas com o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, para discutir a questão do estreito, segundo relatos divulgados na segunda-feira pela mídia estatal desses países.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu — que iniciou a guerra em fevereiro ao lado de Trump, mas não participou das negociações entre os EUA e o Irã para encerrá-la — deve se reunir com Trump em Washington no início desta semana.
*Com informações de CNN

