ALYSSON PROJETA NOVA OLIGARQUIA NO RN
A temporada de caça ao voto no Rio Grande do Norte reabre o mais clássico dos debates locais: o poder das velhas oligarquias. Para quem achava que a árvore genealógica da política potiguar ganharia novas raízes, o cenário atual é um prato cheio para o cinismo. Dos três principais postulantes ao governo do estado, apenas Cadu Xavier caminha sem o peso — ou o bônus — do sobrenome. Neófito de carteirinha, é o único que não precisa organizar o amigo secreto de fim de ano pensando em acomodações na Assembleia Legislativa.
Na outra ponta, Álvaro Dias joga o jogo tradicional com a naturalidade de quem herdou o tabuleiro. Ex-prefeito de Natal, Álvaro segue a trilha do pai, Adjuto Dias, que já bateu ponto no Legislativo estadual. E como o bom exemplo vem de casa, o espaço já foi devidamente aberto para o filho, Adjuto Dias Neto, que se prepara sem grandes sobressaltos para o seu terceiro mandato na Casa. Tudo em família, como manda o figurino da velha política norte-rio-grandense.
O verdadeiro espetáculo da incoerência, contudo, atende pelo nome de Alysson Bezerra. O engenheiro que brotou dos bancos da UFERSA e se projetou como o “Davi” que derrubou o “Golias”, no caso, Rosalba Ciarlini Rosado, do clã Rosado em Mossoró — uma dinastia que parecia não ter fim, de Dix-Sept Rosado a Larissa Rosado — agora resolveu reescrever o próprio roteiro. O outrora ferrenho e intransigente crítico das oligarquias parece ter descoberto que, no RN, se você não pode vencer o sistema, você se junta a ele. E com estilo.
Para quem subia ao palanque com o discurso da renovação, Alysson operou um milagre da metamorfose política. Hoje, caminha de braços dados com o “solidéu” da oligarquia Maia, personificada em José Agripino, e com o tradicionalismo dos Alves, representados pelo vice-governador Walter Alves.
Mas a cereja do bolo da “queimação” de sua pregação moralista foi a criação de sua própria dinastia caseira: o lançamento de sua esposa, rebatizada estrategicamente como “Cinthia de Alysson”, à Assembleia Legislativa. Uma aula magna de contradição.
Evidentemente, os adversários não vão assistir a esse transformismo político de braços cruzados. A incoerência de Alysson será o prato principal das peças de propaganda. Para piorar a blindagem do ex-prefeito, a narrativa de “gestor eficiente” começa a fazer água, especialmente após as duras notas de avaliação emitidas pelo Ministério Público do RN. E para o eleitorado que acreditou no discurso da moralidade, a oposição já prepara o megafone para lembrar, a cada segundo, as investigações da Operação Mederi, que apura o desvio de recursos públicos. Pelo visto, o discurso de Alysson mudou tanto que a sua antiga coerência já virou peça de museu.
ENVOLVIMENTO
Além de Alysson estar envolvido nas suspeitas de desvios de dinheiro público da Polícia Federal, sua esposa, a “Cíntia de Alysson” parece também envolvida com Abraão Lincoln, pivô do escândalo de desvios do INSS. Pelo menos registrou fotos da “boa companhia” nas redes sociais.
DEFESA
A deputada Isolda Dantas (PT) e o deputado Francisco do PT utilizaram seus espaços no plenário da Assembleia Legislativa para mostrar com números a evolução na melhoria da segurança pública no Estado, que vem se constituindo uma das marcas da gestão Fátima Bezerra (PT).
REGISTRO
A parlamentar petista, conhecida como a “estridente Isolda”, deixou registrado nos anais: “Vamos comparar o que foi feito na segurança pública do RN. Este governo investiu, valorizou os profissionais e fortaleceu as instituições de segurança”.
INSEGURANÇA
Enquanto parlamentares petistas faziam demonstração com os números evoluídos na segurança pública do Rio Grande do Norte, nessa terça-feira, 2, o oposicionista deputado Luiz Eduardo (PL) questionava a necessidade de instaurar uma CPI para investigar as causas da violência no estado.
CPI
A argumentação do parlamentar do PL para a instauração de CPI contra a insegurança pública é de que o governo do estado tem feito “ouvido de mercador” diante do sofrimento dos cidadãos ao citar como caso de calamidade público a execução de um jovem de 17 anos, na cidade de Mossoró.
CPI 2
Para o parlamentar Luiz Eduardo (PL), “se o governo não investiga, não prende e nem impede criminosos, eu acho que chegou a vez da Assembleia Legislativa chegar ao problema. Uma CPI para mapear as causas e os arquitetos da violência seria muito bem-vinda”.
FACÇÕES
Ao final de seu pronunciamento o deputado Luiz Eduardo foi contundente: “Acorda, Fátima. O Rio Grande do Norte está sendo tomado pelas facções. Já não basta o que fizeram no Morro do Careca, agora estamos perdendo nossos jovens com uma frieza tremenda”.

