

Após perder a visão de um olho, enfrentar problemas de saúde e sofrer com o luto pelo falecimento de duas irmãs, Rita André encontrou na corrida de rua uma nova motivação para viver.
A rotina de Rita André começa antes mesmo do nascer do sol. Aos 69 anos, prestes a completar 70 em julho, ela acorda diariamente às 4h para seguir uma programação que inclui academia, corridas e atividades voluntárias. O que hoje parece uma rotina comum para uma atleta amadora representa, na verdade, uma transformação que mudou completamente sua vida.
Natural de Cerro Corá e moradora de Natal, Rita trabalhou durante 50 anos como cabeleireira.
Atualmente, dedica-se ao artesanato religioso. A mudança de vida começou após um período marcado por perdas familiares e problemas de saúde.
Em 2024, ela enfrentou a morte de duas irmãs em um intervalo de apenas 15 dias. O impacto emocional provocou um quadro de depressão que a afastou das atividades que costumava realizar. “Fiquei doente, deprimida, com tristeza. Não queria sair de casa”, relembra.
A virada aconteceu em novembro de 2024, quando o filho a convidou para participar da Corrida da Catedral Metropolitana de Natal, realizada durante os festejos de Nossa Senhora da Apresentação, padroeira da cidade. Na época, Rita tinha 68 anos e não imaginava que aquele seria o início de uma nova fase.
Desde então, ela já participou de cerca de 40 corridas de rua e conquistou 10 troféus e dezenas de medalhas. Entre os resultados mais recentes estão vitórias e colocações de destaque em provas promovidas pelo SESC, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil, Polícia Federal, Liga Contra o Câncer, Nordestão, Favorito e Corrida das Estações.
“Ganhei qualidade de vida. Nada me entristece, nada me derruba”, afirma. Além da diabetes, Rita perdeu a visão do olho direito em decorrência da doença. Durante muito tempo competiu apenas na categoria por faixa etária. Foi em uma corrida promovida por médicos que descobriu que também poderia disputar provas na categoria PCD.
Mesmo com a limitação visual, acumula resultados expressivos e já superou atletas muito mais jovens.
“Descobri que não é a idade que determina o que a pessoa pode fazer”, diz. Sem treinador, ela buscou orientações em vídeos e conteúdos nas redes sociais para aprender técnicas de corrida. Atualmente, realiza treinos ao lado de duas amigas e percorre trajetos de 7km a 10km que passam pelo bairro Cidade Satélite e pelo Parque da Cidade, incluindo percursos com ladeiras.
Preparação inclui uma alimentação controlada
A preparação inclui uma alimentação controlada, sem açúcar e sem massas brancas. Frutas, ovos, aveia, banana, frango e suplementos proteicos fazem parte da rotina. Segundo Rita, a prática esportiva trouxe benefícios que vão além do condicionamento físico.
“Sou diabética e não dependo mais de medicação. Não tenho dor em nada. Não consigo mais viver sem a corrida”, relata a atleta que costuma fechar as provas de 5km em 35 minutos. “Depende muito do percurso, as vezes tem trajeto com muita ladeira ou então quando chove muito, mas a média de uma prova de 5k gira em torno de 35 e 40 minutos”, explica Rita.
Para os próximos meses, a agenda segue cheia. Entre as provas confirmadas estão as corridas da Jovem Pan, Centenário de Parnamirim, EJAC da Igreja São Francisco, Unimed, Meia do Sol e Serra da Gameleira.
Esporte e trabalho voluntário fazem parte da rotina de Rita
Casada há 44 anos, mãe de dois filhos e avó de uma neta, ela também dedica parte do tempo ao trabalho voluntário no salão da Igreja Santa Clara, no bairro Cidade Satélite. O projeto reúne mais de 70 idosos em atividades físicas, palestras e ações comunitárias. Para a corredora, a convivência e o cuidado com o próximo são tão importantes quanto o esporte. “É muito bom para dar valor à vida”, afirma.
Ao refletir sobre a própria trajetória, ela resume a principal lição que aprendeu nos últimos anos: “Cada dia que você acorda vale tudo, é preciso dar valor à vida.” Quanto ao futuro, Rita é otimista, “quero correr até quando as pernas aguentarem, e quem quiser correr comigo e meu grupo de amigas é só me procurar no instagram, pois o melhor remédio para o ser humano é a atividade física”, encerrou a corredora que na última prova no mês de junho fez 5km em 35 minutos e subiu no lugar mais alto do pódio.

