Por Fernanda Sabino
Após rumores de que poderia abrir mão de suas candidaturas majoritárias em favor de uma composição com o PT nas eleições de 2026, o PSOL do Rio Grande do Norte decidiu afastar publicamente as especulações. Em entrevista ao Diário do RN, o presidente estadual da legenda e pré-candidato ao Senado, Sandro Pimentel, afirmou que não existe qualquer diálogo em andamento com os petistas sobre alianças eleitorais no Estado e garantiu que as pré-candidaturas do partido permanecem mantidas.
Segundo Sandro, as informações que circularam nos bastidores políticos nos últimos dias não correspondem à realidade e motivaram, inclusive, a divulgação de uma nota oficial do Diretório Estadual do PSOL, nesta terça-feira (02). O objetivo, segundo ele, foi esclarecer que a legenda segue concentrada na construção de seu próprio projeto para 2026, embora não descarte conversas futuras dentro do campo progressista.
Na nota, o partido afirma que “não existe qualquer diálogo aberto com o PT ou com qualquer outro partido acerca de composição eleitoral para 2026” e reafirma que seguirá cumprindo seu calendário pré-eleitoral e construindo seu programa de governo, informação que foi reforçada durante a entrevista ao Diário do RN:
“O que fez a gente produzir aquela nota foi porque começaram a divulgar que a gente estava em diálogo com o PT. A gente não está em diálogo com o PT em momento nenhum”, afirmou
O dirigente ressaltou que conversar com outras legendas faz parte da dinâmica política, mas frisou que não há qualquer negociação aberta neste momento.
“Pode até vir a ter diálogo. É claro que, se o PT solicitar um diálogo, a gente vai sentar e conversar. Conversar é normal, faz parte do processo político democrático. Mas estar em diálogo significa dizer que a gente está sentando, trocando ideias e discutindo uma composição. Isso não é fato, isso não está acontecendo”, declarou.
Atualmente, o PSOL mantém as pré-candidaturas do professor Robério Paulino ao Governo do Estado e de Sandro Pimentel ao Senado, além da construção das nominatas para deputado federal e estadual.
“O que a gente pode afirmar é que começaram a divulgar que o PSOL estava em diálogo com o PT e que as candidaturas poderiam não ser viabilizadas. Isso não procede”, reforçou, enfatizando a solidez do projeto.
Ao comentar o futuro, Sandro evitou antecipar cenários e afirmou que qualquer discussão sobre alianças ainda é prematura.
“Não dá para conjecturar o futuro com base em algo que a gente nem sabe se vai acontecer e, se acontecer, nem em quais termos irá acontecer. Agora, pode dizer o presente”, afirmou.
Alinhamento da chapa majoritária
A posição dialoga com declarações feitas anteriormente pelo pré-candidato ao Governo do Estado, Robério Paulino, também em entrevista ao Diário do RN. No mês passado, o professor afirmou que o PSOL pretende apresentar seu projeto próprio ao eleitorado, mas admitiu a possibilidade de entendimentos futuros caso exista convergência programática.
“No momento, o PSOL pretende apresentar suas propostas. Mas, se houver compromisso do PT com essas propostas que estamos defendendo, tudo é conversável”, disse.
Na ocasião, Robério deixou claro que qualquer eventual aproximação dependeria da incorporação de pautas defendidas pelo partido.
“O PT se compromete a elevar a educação em tempo integral para 50%? Se compromete a acabar com o analfabetismo? A valorizar professores? A plantar cinco milhões de árvores? Se houver compromisso com isso, a conversa pode avançar”, afirmou.
Apoio à reeleição de Lula
Apesar da negativa em relação a uma composição estadual, Sandro destacou que o partido já definiu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Nós aprovamos por unanimidade o apoio à reeleição do presidente Lula. Isso é um fato, isso foi decidido desde janeiro”, afirmou.
O dirigente, porém, fez questão de separar os cenários nacional e estadual.
“Isso não significa dizer que nos estados a aliança vai seguir a mesma. Os estados têm realidades completamente diferentes”, avaliou.

