Os Estados Unidos estão no segundo dia da operação batizada de “Projeto Liberdade”, iniciativa destinada a escoltar navios de carga pelo Estreito de Ormuz, passagem considerada vital para o abastecimento de petróleo na economia global. Até o momento, a operação registra resultados muito abaixo do esperado para normalizar o tráfego na região.
Segundo Diego Pavão, editor de Internacional da CNN, apenas dois navios de bandeira americana foram escoltados pelos navios de guerra dos Estados Unidos desde o início da operação. “Resultado muito abaixo do que é necessário para normalizar essa passagem”, afirmou.
Desafios geográficos e logísticos
O Estreito de Ormuz já representa uma passagem delicada em condições normais. Apesar de ter aproximadamente 33 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito, apenas 3 quilômetros são navegáveis em cada sentido, devido às restrições de profundidade — o chamado “calado”, ou seja, a parte que fica submersa dos navios.
Grandes petroleiros, por exemplo, possuem um calado de cerca de 20 metros, o que os obriga a trafegar por vias específicas determinadas pela profundidade do canal.
“O Estreito de Ormuz já é uma passagem delicada quando se tem um fluxo normal de navios passando, justamente por causa daquele aperto”, explicou Pavão. Com a escolta dos navios de guerra americanos, o espaço disponível para manobras fica ainda mais reduzido. Atualmente, cerca de 2 mil navios e 20 mil marinheiros aguardam na chamada “sala de espera” do estreito, à espera de condições seguras para atravessá-lo.
O papel decisivo das seguradoras
Um dos principais obstáculos à operação americana, de acordo com Diego Pavão, é a posição das seguradoras marítimas. Segundo uma fonte da indústria naval consultada por Pavão, a decisão final sobre a passagem dos navios pelo estreito não cabe aos Estados Unidos, mas às seguradoras — a maioria delas sediada em Londres.
“Londres é quem manda”, relatou o editor, citando sua fonte. Se uma seguradora avaliar que a travessia ainda é perigosa, nenhuma escolta americana será capaz de alterar essa decisão.
Mais do que isso, as seguradoras entendem que a presença dos navios de guerra americanos pode, na verdade, aumentar o risco, tornando os navios de carga alvos mais visíveis em um contexto de conflito — algo que o Irã, segundo Pavão, não veria com bons olhos. A isso se soma a presença de minas navais iranianas no estreito.
Pressão política e econômica nos EUA
A operação foi lançada em meio a forte pressão sobre Donald Trump em razão do aumento nos preços dos combustíveis. Pavão relatou ter recebido, momentos antes de entrar no ar, a foto de uma bomba de gasolina nos Estados Unidos marcando quase US$ 5 o galão. “Os americanos estão pagando quase 50% a mais na gasolina do que pagavam antes dessa guerra”, disse.
O cenário político agrava ainda mais a pressão. Os Estados Unidos têm eleições de meio de mandato previstas para o fim do ano, quando os eleitores renovarão a composição da Câmara e do Senado. “O eleitor vota muito pensando nessa questão de preço”, observou Pavão, destacando que Donald Trump se encontra “extremamente pressionado” diante desse quadro.
*Com informações de CNN

