ENTRE O SONHO DO SENADO E O PESADELO DA DEVASSA
A folhinha de março corre célere e, com ela, o tic-tac do relógio eleitoral começa a ecoar nos corredores do Centro Administrativo, em Natal. Para a governadora Fátima Bezerra (PT), a decisão de renunciar ao cargo até o início de abril para buscar uma cadeira no Senado não é apenas uma estratégia política; é um equilibrismo de alto risco onde o figurino de “professora” dá lugar ao de mestre de obras tentando evitar que o teto desabe antes da hora.
O dilema é cristalino, ainda que doloroso. De um lado, o PT potiguar, com a fome habitual de quem não quer largar o osso, tenta emplacar Cadu Xavier como o “escolhido” para um mandato-tampão. Cadu é o nome de confiança, o técnico que guarda as chaves do cofre e os segredos da gestão. O problema? O “santo” de Cadu simplesmente não cruza com o da Assembleia Legislativa.
Na política potiguar, governar sem a simpatia da maioria dos deputados estaduais é como tentar dirigir um “bugre” nas dunas de Genipabu com o pneu furado: você faz muito barulho, mas não sai do lugar.
Aí reside o pavor de Fátima. Se Cadu não decolar, a alternativa é entregar a cadeira — e a caneta — a um adversário político. Imagine o cenário: um sucessor hostil, em pleno ano eleitoral, assumindo o controle e decidindo fazer uma “faxina de primavera” antecipada. Em tempo recorde, uma devassa seria montada para escancarar o que a oposição chama de “Estado quebrado”. Nada como um relatório de auditoria bem temperado para azedar qualquer campanha ao Senado.
É nesse imbróglio que surge o nome de Guilherme Saldanha, da Secretaria de Agricultura e Pesca.
Como já antecipado por esta coluna CONVERSA LIVRE, Guilherme aparece como o “plano de contenção”. Um auxiliar fiel que poderia gerenciar o Rio Grande do Norte entre maio e dezembro sem sobressaltos, garantindo que o sono de Fátima e seus aliados petistas não fosse interrompido por pesadelos de fiscalização agressiva.
Guilherme é, no jargão político mais ácido, o “melé” perfeito — doce, maleável e pronto para o uso.
Nas mãos da governadora, ele representa a segurança de uma transição caseira. Caso contrário, o que parece um porto seguro hoje pode ser a deriva de amanhã.
Fátima está diante do clássico “pegar ou largar”. O Senado é o destino desejado, mas o preço da passagem pode ser alto demais se o motorista do ônibus (ou do Estado) decidir mudar a rota e jogar o veículo no primeiro despenhadeiro fiscal que encontrar. Se ela seguirá a rota de Guilherme Saldanha ou se apostará no confronto direto pela sobrevivência de Cadu, “aí são outros quinhentos”. Por enquanto, o Rio Grande do Norte assiste a esse xadrez onde o xeque-mate pode vir de dentro de casa.
RIVALDO
Sem apego a cargos comissionados, o professor Rivaldo Fernandes oficializou ao órgão a sua decisão em deixar a Superintendência Regional do IBAMA/RN.
DISPUTA
Rivaldo deixa a Superintendência do IBAMA/RN tendo a certeza de que os vários partidos de esquerda vão se “engalfinhar” nos próximos dias na tentativa de indicar seus membros para o cargo que agora se encontra vago.
SAÍDA
Para Rivaldo Fernandes, a sua saída da Superintendência do IBAMA “marca o encerramento de um ciclo de gestão iniciado em 2023 e caracterizado pela reconstrução institucional, fortalecimento da fiscalização ambiental e ampliação do diálogo com a sociedade potiguar”
SAÍDA 2
Por ocasião do encerramento de suas atividades frente a instituição, Rivaldo apresentou Relatório Institucional de Prestação de Contas referente ao período 2023/2025. O documento sistematiza as principais ações, investimentos e resultados alcançados durante a gestão.
RELATÓRIO
Como conteúdo do Relatório, ganha relevo, além da realização de seminários temáticos e participação em mais de 20 audiências públicas, a discussão sobre a desertificação do Seridó, que ampliou o debate técnico e institucional sobre os impactos ambientais e climáticos da região.
TRANSIÇÃO
Com a transição administrativa, o IBAMA/RN inicia um novo ciclo, enquanto Rivaldo encerra sua passagem pela Superintendência do órgão com um balanço positivo, marcado pelo fortalecimento institucional, ampliação do diálogo social e consolidação da política ambiental no estado.
VERDE
Após abdicar de permanecer à frente do IBAMA/RN, Rivaldo Fernandes volta às suas funções na Datanorte e na Prefeitura de Ceará-Mirim e passa a se dedicar com mais empenho no fortalecimento político do Partido Verde (PV) no RN.
POLÍTICA
Sobre a nova missão de fortalecer o PV no estado, Rivaldo avalia que “a nossa missão é promover o fortalecimento do Partido Verde, e para isso, com a nossa presença na Federação Brasil da Esperança, teremos oportunidade em eleger Thabata Pimenta e doutor Bernardo como nossos representantes na Câmara dos Deputados”.

