O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, pediu ajuda ao advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), para tratar de um “caso” em novembro de 2024. Após o pedido, os dois fizeram uma videoconferência, Vorcaro enviou um documento para análise e passaram a combinar novos encontros no Rio de Janeiro e em Brasília.
As informações são da coluna da jornalista Bela Megale, de O Globo, com base em mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro. Segundo a apuração, as conversas mostram uma relação que combinava contatos sociais e interlocução profissional, embora não seja possível identificar qual era o caso tratado, qual ajuda foi solicitada ou o conteúdo e o resultado da análise do documento.
O contato sobre o “caso” começou na noite de 5 de novembro de 2024. Vorcaro perguntou onde Rodrigo estava e disse que gostaria de conversar naquela semana. Na sequência, explicou o motivo:
“Quero te chamar pra me ajudar num caso”, escreveu o banqueiro.
Rodrigo aceitou conversar e marcou uma videoconferência para o dia seguinte. Durante a reunião, realizada em 6 de novembro, Vorcaro encaminhou um arquivo identificado na exportação da conversa como “SLAT TABU”. O conteúdo do documento não consta no material analisado pela reportagem.
“Vou ler”, respondeu Rodrigo. Na manhã seguinte, o advogado informou que precisaria de mais tempo para analisar o material e afirmou que só conseguiria examiná-lo em detalhes no fim de semana.
Reuniões e “tapete vermelho”
As mensagens mostram que os contatos continuaram nos meses seguintes. Em dezembro de 2024, Rodrigo perguntou quando Vorcaro estaria em Brasília e sugeriu um café em seu escritório, em Ipanema.
Como o banqueiro precisava retornar a São Paulo, os dois combinaram o encontro para as 14h. Rodrigo então respondeu:
“Beleza. Vou remarcar uma aqui pra te atender”.
Em seguida, confirmou o horário e escreveu: “Tapete vermelho irmão”.
O encontro, porém, não ocorreu naquele horário porque Rodrigo foi chamado ao Tribunal de Justiça.
Em março de 2025, Rodrigo voltou a procurar Vorcaro e propôs uma reunião em Brasília “para alinhar algumas questões”. O encontro acabou sendo remarcado para o dia seguinte.
Na sequência, Rodrigo perguntou a Vorcaro sobre uma data em Londres e orientou que um e-mail fosse encaminhado ao endereço profissional dele e também à secretária de Luiz Fux no STF. As mensagens não revelam o conteúdo do e-mail nem indicam se o ministro recebeu ou aceitou algum convite.
Relação também tinha contatos sociais
Segundo O Globo, a relação entre Vorcaro e Rodrigo Fux já era próxima antes do pedido de ajuda. As mensagens disponíveis começam em maio de 2024 e incluem conversas sobre festas, viagens, almoços, Carnaval e charutos.
Em fevereiro de 2025, Vorcaro convidou Rodrigo, sua mulher, familiares e amigos para uma área reservada de um camarote durante o Carnaval. O banqueiro também se ofereceu para enviar os kits do evento para a casa do advogado.
Em maio daquele ano, Rodrigo voltou a sugerir um encontro presencial. Ele perguntou a Vorcaro se valeria a pena os dois tomarem um café para uma “contextualização”.
“Mas você acha que vale a pena tomarmos um café para uma contextualização ou não precisa?”, escreveu.
Vorcaro respondeu: “Acho que vale sim”.
A última mensagem disponível na apuração é de 30 de agosto de 2025, quando Rodrigo escreveu a Vorcaro: “Vi a movimentação. Só pra eu entender. Vc ainda tem interesse?”. O arquivo não apresenta a resposta do banqueiro nem esclarece a que movimentação e interesse o advogado se referia.
Escritório nega atuação para Vorcaro
Procurado por O Globo, o escritório de Rodrigo Fux afirmou que “nunca advogou a favor de Daniel Vorcaro ou do Banco Master”. Também declarou que não fez proposta de trabalho, não celebrou contratos e não manteve relação comercial com Vorcaro ou com o Banco Master.
Segundo a nota, teria ocorrido apenas uma “tentativa de aproximação comercial” por parte de Vorcaro e seus sócios, que “jamais se concretizou”. O escritório afirmou ainda que os diálogos ocorreram mais de um ano antes de surgirem notícias sobre fraudes ou eventual implicação criminal do banqueiro.
O ministro Luiz Fux não respondeu aos contatos realizados pela coluna.
As mensagens, segundo a apuração, não comprovam que Rodrigo Fux tenha atuado juridicamente em favor de Vorcaro ou do Banco Master. O material, porém, registra o pedido de ajuda feito pelo banqueiro, a realização de uma reunião virtual, o envio de um documento para análise e posteriores contatos entre os dois.

