O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou a Turquia no mês passado em um voo militar secreto, enquanto a Casa Branca afirmava que ele estava viajando a bordo do Air Force One, em uma operação extraordinária motivada por uma ameaça de assassinato vinda do Irã, informou o Washington Post na segunda-feira (10).
Trump havia levado o novo avião, reformado e doado pelo Catar, para Ancara para a cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), mas inesperadamente utilizou um Air Force One mais antigo ao deixar o país, uma decisão que levantou questionamentos sobre a segurança da aeronave mais nova.
A viagem à Otan foi a primeira viagem internacional do novo avião, cujas rápidas reformas levantaram dúvidas sobre seu custo e sua segurança. A viagem ocorreu em um momento em que as hostilidades com o Irã, que faz fronteira com a Turquia, estavam se intensificando.
Antes de deixar Ancara, Trump afirmou no Truth Social que usaria um antigo Air Force One azul-claro “por causa dos velhos tempos” até a base da Força Aérea Real britânica em Mildenhall, enquanto o novo avião faria uma parada na mesma base para que militares americanos ali estacionados pudessem conhecer a aeronave.
Depois que Trump embarcou no antigo Air Force One diante das câmeras em Ancara, ele foi secretamente levado por um caminhão de serviço de alimentação do aeroporto até uma aeronave menor, um C-32A da Força Aérea dos EUA, informou o Post, citando um funcionário americano familiarizado com a operação e materiais que o jornal analisou e considerou corroboradores.
Segundo o Post, a operação de dissimulação foi desencadeada por uma ameaça considerada crível contra Trump. Uma operação semelhante havia ocorrido em 2000, quando o presidente Bill Clinton utilizou um jato executivo sem identificação para entrar no Paquistão, enquanto seu Air Force One oficial servia como avião de despiste.
Desta vez, os jornalistas que acreditavam estar viajando com Trump no antigo Air Force One, que, na prática, foi usado como isca, disseram ter recebido orientação para manter fechadas as persianas das janelas da cabine de imprensa. O Post afirmou que, além dos repórteres, alguns funcionários da Casa Branca também acreditavam que o presidente estava a bordo.
Mais tarde, quando repórteres perguntaram por que precisaram manter as persianas fechadas durante o voo, Trump respondeu que era porque eles estavam “provavelmente em um voo perigoso”. Em seguida, acrescentou: “Mas, se eu for, vocês vão comigo. Certo?”
O C-32A que transportava Trump voou para a Grã-Bretanha e chegou por volta das 22h20, enquanto o antigo Air Force One, levando a imprensa, chegou minutos depois, informou o Post. O jornal disse que não estava claro como Trump foi transferido do C-32A de volta para o antigo Air Force One.
Imagens da Reuters registradas em 8 de julho mostram Trump subindo os degraus de um antigo Air Force One em Ancara, enquanto o grupo de jornalistas que o acompanhava informou que ele desembarcou às 22h56, no horário local.
Ele fez um sinal de paz para a imprensa, mas não se aproximou para conversar com os jornalistas. Em seguida, passou algum tempo cumprimentando militares antes de caminhar até o novo avião, doado pelo Catar, de acordo com relatos do grupo de jornalistas que o acompanhava naquele dia.
Questionada sobre a revelação de que Trump havia realizado um voo secreto em uma terceira aeronave, a Casa Branca forneceu uma declaração do diretor de Comunicações, Steve Cheung, afirmando que o jato doado pelo Catar foi equipado com protocolos de segurança de alto nível para garantir a proteção do presidente e de sua equipe.
“Como o presidente disse recentemente, há muitos inimigos da América que estão de olho nele, e usamos todas as ferramentas à nossa disposição para lidar com essas ameaças”, disse Cheung. Foi a mesma declaração fornecida ao Post.
O Pentágono não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
O novo avião, com pintura nas cores vermelho, branco, azul-escuro e dourado escolhidas por Trump, é um Boeing 747 doado aos Estados Unidos pelo Catar no ano passado e reformado pela empresa de defesa L3Harris Technologies. A aeronave deveria servir como solução temporária enquanto a Boeing enfrentava dificuldades para entregar os aviões de próxima geração do Air Force One, que estão há muito tempo atrasados.
*Com informações de CNN

