O Senado do Paraguai rejeitou nesta sexta-feira (6), por 39 votos contrários e duas abstenções, o pedido do presidente Santiago Peña para ampliar em 72 horas o prazo destinado à apresentação de sua defesa no processo de impeachment que tramita no Congresso do país. A informação foi divulgada pelo jornal paraguaio ABC Color.
Peña havia solicitado mais três dias para preparar sua defesa, alegando que o prazo inferior a 12 horas concedido inicialmente não garantiria o pleno exercício do direito de defesa. O pedido, porém, foi recusado pelos senadores.
Mesmo após anunciar sua renúncia na quinta-feira (5), o pedido ainda não foi apreciado pelo Congresso. Com isso, Santiago Peña permanece formalmente na Presidência da República enquanto o processo de impeachment segue em andamento.
O presidente foi intimado a comparecer ao Senado às 10h desta sexta-feira para apresentar sua defesa, mas não esteve presente. Em seu lugar, os advogados Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda compareceram ao Congresso para representar o chefe de Estado, logo após a rejeição do pedido de prorrogação do prazo.
A crise política teve início na quinta-feira, quando a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a abertura do processo de impeachment contra Peña. Na mesma sessão, os parlamentares rejeitaram um pedido semelhante contra o vice-presidente Pedro Alliana.
Após a decisão da Câmara, o Congresso convocou uma sessão bicameral para analisar a renúncia apresentada por Peña. No entanto, a reunião foi interrompida por falta de quórum, após parlamentares do Partido Colorado deixarem o plenário e impedirem a continuidade dos trabalhos.
Diante da impossibilidade de analisar a renúncia, o Senado prosseguiu com o rito do impeachment de forma independente. Os senadores aprovaram a nomeação dos procuradores responsáveis por conduzir a acusação durante o julgamento e deram continuidade ao processo, que agora entra na fase de apresentação da defesa e análise do mérito das acusações.
A crise política no Paraguai foi desencadeada após a liquidação do Ueno Bank pelo Banco Central Paraguaio, fato que provocou forte instabilidade financeira e levou a oposição a responsabilizar o governo pela condução do caso. Peña nega irregularidades, mas enfrenta pressão crescente de setores políticos, inclusive de integrantes do Partido Colorado, legenda à qual é filiado.

