Os estudantes da rede pública estadual do Rio Grande do Norte realizarão as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 nas próprias escolas onde estudam. Ao todo, 124 unidades estaduais, distribuídas em 41 municípios, foram definidas pela Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e do Lazer (SEEC), em parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), para receber a aplicação do exame.
O Rio Grande do Norte contabiliza 113.912 inscritos no Enem deste ano, considerando candidatos de todas as redes de ensino.
Para garantir a organização da aplicação, cada uma das escolas contará com um interlocutor indicado pela direção da unidade. Esses profissionais serão responsáveis por acompanhar a logística do exame, organizar os espaços e orientar os estudantes. Todos já participaram de uma formação on-line promovida pela SEEC.
A iniciativa faz parte da estratégia do Ministério da Educação (MEC) de integrar o Enem ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), unificando as avaliações da rede pública. A proposta busca evitar que os estudantes precisem fazer duas provas distintas e ampliar a participação no exame nacional.
O Enem 2026 também servirá como experiência-piloto para o novo modelo de integração que será adotado no Saeb a partir de 2027. Segundo o MEC, a medida deve aumentar o engajamento dos estudantes e reduzir a sobrecarga provocada pela realização de avaliações diferentes.
Para o subcoordenador do Ensino Médio da SEEC, Manoel Neto, a ampliação dos locais de prova representa um avanço no acesso ao exame.
“A ampliação dos locais de aplicação do Enem representa um avanço importante na democratização do acesso ao exame, especialmente para os estudantes que vivem em municípios mais distantes dos grandes centros. Essa iniciativa, além de incentivar a participação de jovens que, muitas vezes, sequer vislumbravam essa possibilidade, contribui para reduzir as ausências e proporcionar melhores condições para a realização da prova. Estar próximo de casa, em um ambiente escolar familiar, sem a necessidade de longos deslocamentos, favorece o bem-estar emocional, reduz a ansiedade e oferece mais tranquilidade aos estudantes”, afirmou.
O gestor também destacou a importância pedagógica da avaliação.
“Na perspectiva pedagógica, o Enem tem uma importância que vai além do acesso ao ensino superior. Seus resultados também oferecem à rede de ensino elementos importantes para identificar fragilidades nas aprendizagens, avaliar os processos pedagógicos e reorientar práticas curriculares, contribuindo para o fortalecimento da qualidade da educação pública”, completou.
Se Liga no Enem
Como parte da preparação dos estudantes, o Governo do Estado mantém o Se Liga no Enem 2026, programa voltado ao fortalecimento da aprendizagem e ao preparo para o exame.
A rede estadual possui cerca de 27 mil estudantes matriculados na 3ª série do Ensino Médio, público prioritário da iniciativa. Reformulado neste ano, o projeto passou a adotar estratégias híbridas, ações descentralizadas nas Diretorias Regionais de Educação e Cultura (Direcs) e acompanhamento sistemático das atividades.
O programa oferece videoaulas, aulas ao vivo, simulados, produção de conteúdos digitais, aulões presenciais, atividades de redação, orientação acadêmica e profissional, além de ações voltadas ao bem-estar físico e emocional dos estudantes.
Expansão da educação profissional e do ensino integral
A preparação para o Enem integra um conjunto de ações da rede estadual voltadas à melhoria da aprendizagem e à ampliação do acesso ao ensino superior.
Na educação profissional, o número de matrículas passou de 7.058, em 2019, para 25.007 em 2026, crescimento superior a 250%. No mesmo período, a quantidade de escolas que oferecem essa modalidade aumentou de 69 para 144 unidades, incluindo os Centros Estaduais de Educação Profissional e os dez Institutos Estaduais de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação (IERNs).
Já a educação em tempo integral ampliou o atendimento de 10.589 estudantes, em 2019, para 34.682 em 2026, alta de 227,5%. Atualmente, 248 escolas estaduais ofertam a modalidade, o equivalente a pouco mais de 42% da rede estadual, praticamente triplicando o número de estudantes atendidos nos últimos sete anos.

