A participação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) na Festa do Boi 2026 já superou os resultados de público e atendimentos registrados durante toda a edição anterior. Nos oito primeiros dias do evento, a Agência Sebrae contabilizou 121.434 passagens pelas câmeras de monitoramento, 15.337 visitantes credenciados e 22.446 atendimentos. Os números representam um crescimento de aproximadamente 31% na circulação registrada e de 22% nos atendimentos em comparação com 2025.
Em entrevista ao Diário do RN, o coordenador-geral da Agência Sebrae na Festa do Boi 2026, Elton Alves, avaliou os resultados da participação da instituição e destacou que o principal avanço desta edição vai além do aumento de visitantes. Segundo ele, a estrutura de cinco mil metros quadrados se consolidou como um espaço de integração entre produtores rurais, empreendedores, pesquisadores, instituições públicas e compradores, transformando conhecimento e inovação em oportunidades concretas de negócios.
“O balanço até aqui é muito expressivo, tanto em público quanto, principalmente, em entrega. Nos oito primeiros dias, registramos 121.434 pessoas contabilizadas pelas câmeras da Agência Sebrae, 15.337 visitantes credenciados e 22.446 atendimentos, sendo 9.455 participações em capacitações e 12.991 orientações técnicas. Tivemos ainda 4.661 pessoas capacitadas”, afirmou.
Os resultados superam os 92.669 registros de visitas e 18.323 atendimentos contabilizados durante toda a Festa do Boi de 2025. Em 2024, a Agência havia recebido cerca de 90 mil visitantes e realizado mais de 22 mil atendimentos.
Para Elton, o crescimento demonstra uma mudança no papel desempenhado pelo Sebrae dentro do evento, que deixou de funcionar apenas como uma estrutura de atendimento para se tornar uma plataforma de desenvolvimento econômico.
“A Agência Sebrae supera-se como estrutura de atendimento dentro da Festa do Boi para funcionar como uma plataforma de desenvolvimento do agro potiguar. Aqui conectamos pesquisa, tecnologia, mercado, gastronomia, cultura, sustentabilidade, produtores, universidades, compradores e instituições públicas e privadas”, destacou.
Além dos atendimentos, a instituição organizou 68 caravanas, responsáveis por levar 1.800 produtores, empreendedores e participantes de diferentes regiões do Rio Grande do Norte à programação.
Recorde de público amplia oportunidades para pequenos negócios
Um dos principais destaques da edição foi o recorde de 18.518 pessoas registradas em um único dia, número 17,5% superior à maior marca diária alcançada em 2025.
Apesar do crescimento, Elton ressalta que o impacto econômico não pode ser medido apenas pela quantidade de visitantes. Segundo ele, a circulação de consumidores representa uma oportunidade para pequenos produtores ampliarem suas redes comerciais, testarem produtos e conquistarem novos mercados.
“Público, sozinho, não é resultado de negócio. O que fazemos é transformar essa circulação em contato comercial, experimentação de produtos, relacionamento com compradores, lançamento de marcas, prospecção e conhecimento de mercado”, explicou.
Entre os exemplos citados pelo coordenador está o empreendimento responsável pelo Pudim de Rapadura, que relatou ter vendido, em apenas um dia, a quantidade de produtos inicialmente preparada para três dias de feira.
Outro destaque foi o Concurso de Qualidade dos Cafés do Nordeste, que reuniu 58 amostras de cinco estados. O Café Jaçanã, produzido por Diogo Castro, no município potiguar de Jaçanã, conquistou o segundo lugar na avaliação técnica e o prêmio Destaque do Público, escolhido por meio de uma degustação às cegas entre os dez finalistas.
“Isso transforma qualidade em reputação, e reputação em valor de mercado. Nosso desafio não é simplesmente trazer gente para dentro da Agência Sebrae. É fazer com que cada encontro possa virar conhecimento, relacionamento comercial, venda, melhoria de produto ou novo mercado”, afirmou.
Estrutura de cinco mil metros quadrados aproxima tecnologia e produtores
A Agência Sebrae reuniu, nesta edição, espaços dedicados à inovação, capacitação, gastronomia, sustentabilidade e comercialização de produtos regionais.
Entre os ambientes estiveram a Fazendinha Modelo, a horta agroecológica, a Queijeira Artesanal Nivardo Melo, os espaços de cafés especiais, o Feito Potiguar, a economia criativa e as áreas de capacitação.
Segundo Elton Alves, o investimento na estrutura permite que produtores tenham contato direto com soluções tecnológicas e orientações especializadas, sem precisar recorrer a diferentes instituições ou localidades.
“O produtor consegue ver uma tecnologia funcionando, conversar com um especialista, conhecer exigências sanitárias, comparar soluções, experimentar um produto, participar de uma capacitação e fazer contatos comerciais dentro do mesmo espaço”, explicou.
Na Queijeira Artesanal, por exemplo, os visitantes puderam acompanhar demonstrações de fabricação de queijos e conhecer equipamentos, investimentos e exigências legais para estruturar unidades produtivas.
Já na Fazendinha Modelo, o Programa Leite e Genética apresentou tecnologias de melhoramento do rebanho e antecipou as adesões para 2027, permitindo que produtores interessados iniciem o acompanhamento técnico no começo do próximo ano.
Para o coordenador, o retorno do investimento está diretamente relacionado à aplicação prática dos conhecimentos apresentados durante a feira.
“Quando conhecimento técnico sai da palestra e chega à propriedade; quando uma inovação reduz custo ou aumenta produtividade; quando uma certificação permite entrar em um supermercado; ou quando um produtor encontra um comprador, o espaço passa a produzir competitividade”, avaliou.
Fruticultura, algodão, café e queijos apresentam potencial de crescimento
Questionado sobre os segmentos com maior capacidade de expansão no Rio Grande do Norte, Elton Alves destacou quatro cadeias produtivas: fruticultura, algodão agroecológico, cafés especiais e queijos artesanais.
Segundo ele, cada setor apresenta oportunidades e desafios específicos. Enquanto a fruticultura já possui participação consolidada na economia e nas exportações estaduais, o algodão e o café representam novas possibilidades de diversificação produtiva no interior.
Na fruticultura, dados do IBGE citados pelo coordenador apontam que banana e melão movimentaram aproximadamente R$ 731,8 milhões e R$ 727,5 milhões, respectivamente, em valor de produção em 2025. O estado também se destacou como o maior produtor brasileiro de melão.
Apesar dos resultados, Elton apontou desafios relacionados às mudanças climáticas, à disponibilidade de água, aos custos de produção e à necessidade de agregar valor aos produtos.
No algodão, o Projeto AgroSertão prevê uma produção de aproximadamente 60 toneladas na safra de 2026, conectando agricultores familiares do Seridó à indústria da moda, inclusive por meio de parceria com a Riachuelo. A iniciativa teve sua continuidade renovada para 2027.
A cafeicultura, por sua vez, apresentou avanços com a criação da primeira associação de produtores de café do Rio Grande do Norte, uma parceria com a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) e o reconhecimento obtido pelo Café Jaçanã.
“Na cafeicultura, o potencial está menos na escala e mais no valor agregado. Em comparação à fruticultura, ainda é uma cadeia pequena no RN, mas 2026 mostrou sinais muito relevantes”, destacou.
Nos queijos artesanais, o Sebrae já acompanha aproximadamente 400 produtores de leite e 50 queijeiras no estado. O objetivo é fortalecer a regularização sanitária, melhorar a qualidade dos produtos e ampliar o acesso a mercados.
“Quando isso acontece, o produtor deixa de competir apenas pelo litro de leite e passa a vender história, território, técnica e qualidade”, explicou.
Economia criativa transforma identidade potiguar em renda
A valorização da cultura regional também esteve entre as prioridades da Agência Sebrae durante a Festa do Boi 2026.
Espaços como o Feito Potiguar, o Feito de Criar, o Balcão Saberes e Sabores e a loja colaborativa de economia criativa reuniram produtos, técnicas artesanais e experiências gastronômicas de diferentes municípios.
Para Elton Alves, a identidade cultural representa um diferencial competitivo importante para pequenos empreendedores, especialmente aqueles que não conseguem disputar mercado apenas pelo preço.
“Nós trabalhamos com a ideia de que identidade territorial também é ativo econômico. Uma receita, uma técnica artesanal, uma matéria-prima regional ou uma história de um território podem diferenciar um produto num mercado em que competir apenas por preço é muito difícil para o pequeno negócio”, afirmou.
O coordenador explicou que a estratégia envolve não apenas a exposição de produtos, mas também ações de qualificação, regularização, desenvolvimento de embalagens, comunicação e abertura de canais de comercialização.
Entre os exemplos apresentados está a Sabores da Vivenda, empreendimento que possui o Selo Arte, certificação que permite a comercialização de produtos artesanais de origem animal em todo o território nacional, conforme as regras aplicáveis.
Elton também destacou a importância de levar essas oportunidades ao interior do estado, evitando que os benefícios econômicos da Festa do Boi fiquem concentrados na Região Metropolitana de Natal.
“Quando valorizamos um queijo, um café, um bordado, o mel, uma receita ou uma peça artesanal, não estamos fortalecendo apenas quem vende o produto final. Estamos movimentando fornecedores, agricultores, artesãos, restaurantes, comércio e serviços”, ressaltou.
Parcerias e regularização de produtores devem gerar resultados em 2027
Além do crescimento no público e nos atendimentos, a Festa do Boi 2026 foi marcada pela formalização de acordos institucionais voltados ao fortalecimento de diferentes cadeias produtivas.
Entre as iniciativas estão uma parceria entre o Sebrae e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), destinada a ampliar a inserção de produtos potiguares no mercado internacional, e um acordo com a Embrapa para fortalecer a produção de ovinos e caprinos, com duração prevista de três anos.
Também foram anunciadas a renovação do Projeto AgroSertão, a expansão do programa de avicultura caipira para todo o Rio Grande do Norte em 2027 e iniciativas de regularização da suinocultura.
Nesse último segmento, cinco produtores receberam documentos de dispensa de licenciamento ambiental durante a feira, enquanto outros oito processos de regularização permanecem em andamento.
A sustentabilidade também ganhou espaço na programação. Segundo Elton, a Agência ampliou sua atuação para contemplar dimensões ambientais, sociais e de governança, mantendo ações de gestão de resíduos e cálculo de emissões.
Para o coordenador, os resultados mais importantes serão percebidos após o encerramento do evento, quando as iniciativas desenvolvidas deverão chegar às propriedades rurais e aos pequenos negócios.
“A Festa do Boi termina, mas o trabalho começa muito antes dela e continua depois. O principal resultado que buscamos não é apenas o que foi vendido durante nove dias, mas aquilo que permanece nas propriedades, nas empresas e nas cadeias produtivas”, afirmou.
Elton destacou que o objetivo é acompanhar os impactos das ações sobre a produtividade, a formalização, o faturamento e a competitividade dos empreendimentos beneficiados.
“Para nós, o verdadeiro indicador de sucesso será olhar para esses produtores daqui a alguns meses e encontrar mais produtividade, mais formalização, novos mercados, aumento de faturamento e negócios mais sustentáveis. A Festa do Boi é uma grande vitrine, mas o nosso objetivo é transformar a visibilidade desses nove dias em desenvolvimento para o ano inteiro”, concluiu.
Com mais de 121 mil registros de circulação, 22,4 mil atendimentos e 4,6 mil pessoas capacitadas antes mesmo do encerramento da edição, a Agência Sebrae consolida a Festa do Boi 2026 como um espaço estratégico para conectar inovação, empreendedorismo e desenvolvimento econômico no Rio Grande do Norte.

