O salário mínimo brasileiro seria de aproximadamente R$ 852 em 2026 caso tivesse sido reajustado apenas pela inflação desde 2004, sem os aumentos reais concedidos ao longo das últimas duas décadas. O cálculo, divulgado pelo Brasil de Fato nesta sexta-feira (9), reacendeu o debate sobre a política de valorização salarial em meio às discussões da equipe econômica do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) sobre mudanças nas regras de reajuste.
A simulação considera o salário mínimo de R$ 260, vigente em janeiro de 2004, corrigido exclusivamente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) até janeiro de 2026. O resultado é de aproximadamente R$ 852, valor R$ 769 inferior ao piso nacional atual, fixado em R$ 1.621.
Isso representa uma diferença de cerca de 47,4% em relação ao salário mínimo vigente. O cálculo ilustra os efeitos acumulados dos aumentos acima da inflação, mas não significa que uma eventual mudança nas regras a partir de 2027 reduziria automaticamente o piso nacional para R$ 852.
Equipe de Flávio Bolsonaro discutiu mudanças na valorização
As discussões sobre o salário mínimo ganharam destaque após integrantes da equipe econômica de Flávio Bolsonaro defenderem a revisão de mecanismos de reajuste de despesas públicas, incluindo benefícios previdenciários.
Em entrevista à TV Folha, em 26 de agosto, Daniella Marques, assessora econômica do candidato, mencionou a possibilidade de rever a política de valorização depois de uma redução de gastos considerados privilégios na administração pública.
Também vieram a público discussões sobre a possibilidade de desvincular aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) dos reajustes do salário mínimo, passando a corrigir esses benefícios apenas pela inflação.
Entretanto, a campanha de Flávio Bolsonaro negou, nesta sexta-feira (9), que pretenda acabar com os aumentos reais do salário mínimo, das aposentadorias ou do BPC. Em comunicado, afirmou que o piso salarial continuará recebendo reajustes acima da inflação.

