O Rio Grande do Norte, segundo maior produtor de camarão do Brasil, pode ampliar em até 25% o volume produzido do crustáceo nos próximos quatro anos. A projeção faz parte das metas do Programa de Interiorização da Carcinicultura, lançado nesta segunda-feira (1º), no município de Assú.
De acordo com dados de 2024, o estado produziu cerca de 37 mil toneladas de camarão ao longo do ano. O volume representa 17% de toda a produção nacional e mantém o RN como segundo maior produtor do país, atrás apenas do Ceará.
Programa prevê expansão no interior do RN
O lançamento do programa foi realizado no Cine Teatro Pedro Amorim e reuniu produtores, gestores públicos e representantes de instituições parceiras. Na ocasião, foram apresentadas as diretrizes da iniciativa, que pretende organizar e ampliar a produção de forma sustentável.
A expectativa é viabilizar a implantação de 150 novos projetos de carcinicultura no interior do Rio Grande do Norte. A proposta busca descentralizar a atividade e fortalecer a economia em diferentes regiões do estado.
Expansão com foco em sustentabilidade
Segundo o gestor de Aquicultura do Sebrae-RN, Marcelo Medeiros, o objetivo é garantir crescimento com responsabilidade ambiental.
Ele destaca que o programa incentiva práticas sustentáveis e também aposta em inovação e qualificação técnica. Além disso, a iniciativa busca aumentar a competitividade do setor no estado.
“O programa vai incentivar práticas sustentáveis na cadeia produtiva da carcinicultura, promovendo inovação, qualificação técnica e fortalecimento da competitividade do setor no estado”, afirmou.
Parceria entre instituições
O Programa de Interiorização da Carcinicultura é resultado de uma articulação entre o Sebrae-RN, o Governo do Estado, o Ministério da Pesca e Aquicultura, a Funcern e o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN).
As instituições atuarão de forma integrada para apoiar a expansão da atividade e garantir suporte técnico aos produtores.
Diagnóstico e regularização dos projetos
Antes de avançar, todos os empreendimentos passarão por um diagnóstico técnico-ambiental realizado por consultores do Sebrae-RN. O estudo vai identificar possíveis restrições ambientais, como áreas de preservação permanente e reservas legais.
Somente os projetos considerados aptos seguirão para as etapas de regularização e licenciamento junto ao Idema, conforme a legislação ambiental vigente.
O programa também utiliza como base a Lei Federal nº 15.190 e a Lei Estadual nº 9.978, conhecida como Lei Cortez Pereira, que regulamentam a atividade de carcinicultura no estado.
Expectativa é de liderança nacional
Para a superintendente federal de Pesca e Aquicultura no RN, Luiza Medeiros, a iniciativa representa um marco para o setor no estado.
Segundo ela, a expectativa é que, em cerca de um ano e meio, o RN conte com 150 novos produtores de camarão. Com isso, o estado pode voltar a disputar a liderança nacional na produção.
Produtores veem oportunidade de crescimento
A iniciativa foi bem recebida por produtores locais, que enxergam no programa uma chance de expansão com segurança técnica e apoio institucional.
Morador do Assentamento Rio Doce, em Porto do Mangue, Flávio Felipe destacou o potencial da região para a atividade. Segundo ele, a interiorização da carcinicultura pode transformar a realidade econômica das comunidades.

“Essa é uma expectativa antiga que está se materializando. Vamos apostar nessa atividade. Porto do Mangue tem vocação para a criação de camarão. Temos área com água do mar e solo apropriado para tanques, o que pode melhorar a vida das famílias com uma atividade legal e sustentável”, afirmou.

