O Rio Grande do Norte reafirma sua posição de liderança na transição energética brasileira durante a realização do Brazil Offshore Wind & Power-to-X (BOWPX 2026), conferência internacional que reúne, em Natal até quarta-feira (3) especialistas, investidores, pesquisadores e representantes do setor produtivo para debater os caminhos da economia verde, da energia eólica offshore, do hidrogênio verde e da neoindustrialização.
A abertura do evento, realizada nesta segunda-feira (1), no Serhs Natal Grand Hotel, contou com a participação da governadora Fátima Bezerra, que destacou o papel estratégico desempenhado pelo Governo do Estado na construção de um ambiente favorável à atração de investimentos, à inovação tecnológica e ao desenvolvimento sustentável.
O Estado avança para uma nova etapa: transformar seu potencial energético em oportunidades de industrialização, geração de empregos qualificados, agregação de valor à produção e redução das desigualdades regionais.
PROTAGONISMO
“O Rio Grande do Norte assumiu o protagonismo da transição energética no Brasil. Temos recursos naturais, capacidade técnica, segurança jurídica e uma visão estratégica de futuro. Estamos construindo um novo modelo de desenvolvimento baseado na economia verde, na inovação e na geração de oportunidades para a população. Queremos que a riqueza produzida pela energia limpa se transforme em emprego, renda, industrialização e redução das desigualdades. Essa é a transição energética que defendemos: sustentável, inclusiva e socialmente justa”, afirmou a governadora Fátima Bezerra.
O protagonismo do Rio Grande do Norte na transição energética é resultado de uma política pública baseada em planejamento, diálogo e investimentos em infraestrutura. Entre os principais avanços está o Marco Legal do Hidrogênio Verde e da Indústria Verde, que tornou o estado pioneiro na regulamentação do setor, criando condições para atrair investimentos, estimular a inovação e desenvolver novas cadeias produtivas ligadas à economia de baixo carbono.
PORTO-INDÚSTRIA VERDE
Outro eixo estruturante é o projeto do Porto-Indústria Verde de Caiçara do Norte, concebido para atender às demandas logísticas da nova indústria da transição energética. Com investimento estimado em R$ 5,6 bilhões, o empreendimento representa uma das maiores iniciativas de infraestrutura voltadas à economia verde no país. Recentemente, o Governo do Estado garantiu os recursos para o início dos estudos de licenciamento ambiental, etapa fundamental para a implantação do complexo.
O BOWPX 2026 ocorre em um momento decisivo para o setor energético mundial. Com uma matriz elétrica composta por 98% de fontes renováveis, considerada a mais limpa do Brasil, o Rio Grande do Norte reúne condições únicas para liderar a nova fase da transição energética. Atualmente, o estado tem 436 empreendimentos de geração em operação, totalizando 13,1 GW de potência instalada, dos quais mais de 10 GW são provenientes da energia eólica.
Para o professor Mario González, idealizador do evento, o desafio agora é utilizar a energia renovável como vetor de transformação industrial. “O Brasil já possui uma matriz elétrica majoritariamente renovável. O próximo passo é ampliar essa transição para a indústria, e o hidrogênio verde surge como elemento central desse processo”, destacou.
LIDERANÇA NA GERAÇÃO DE ENERGIA
A necessidade de converter a liderança na geração de energia em desenvolvimento industrial também foi ressaltada por Darlan Santos, diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne): “Este estado construiu uma trajetória de sucesso como produtor de energia renovável. Agora, o desafio é utilizar esse ativo estratégico para atrair indústrias e investimentos que consumam essa energia localmente. Isso significa gerar empregos, agregar valor à produção e fortalecer um processo sustentável de industrialização”, afirmou.
A presidente executiva da Abeeólica, Elbia Gannoum, destacou o papel transformador que as energias renováveis já exercem no território potiguar. “O Rio Grande do Norte é um exemplo concreto dos impactos positivos que a energia renovável pode gerar para o desenvolvimento econômico e social. A energia eólica transformou a realidade de diversos municípios e agora o estado se prepara para um novo ciclo de crescimento com a energia offshore e a industrialização associada à transição energética”, ressaltou.
Participaram da abertura do evento, o secretário da Infraestrutura, Gustavo Coelho; a coordenadora de Desenvolvimento Energético da Sedec, Emília Casanova; a secretária Nacional do Ministério de Minas e Energia, Karina Souza; o coordenador de Tecnologias Setoriais no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Rafael Menezes, o representante da FIERN, Etelvino Patricio e o analista técnico do SEBRAE-RN, Robson Matos.

