O primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte foi marcado por críticas às gestões dos adversários, troca de acusações e discussões sobre problemas históricos do Estado. Realizado neste domingo (9), pela Band RN, o encontro reuniu Allyson Bezerra (União Brasil), Álvaro Dias (PL), Cadu de Lula (PT) e Robério Paulino (PSOL) e deu uma primeira amostra das estratégias que devem ser adotadas durante a campanha eleitoral.
Saúde, educação, infraestrutura, situação financeira do Estado e dos municípios, emprego e renda estiveram entre os temas abordados. Mas o confronto político ganhou espaço à medida que os candidatos passaram a questionar diretamente os adversários. As administrações de Fátima Bezerra no Governo do Estado, de Allyson em Mossoró e de Álvaro em Natal foram utilizadas tanto como vitrines quanto como alvos.
Cadu de Lula buscou defender o legado do atual Governo e apresentou como contraponto a manutenção dos salários dos servidores em dia, após os atrasos encontrados no início da administração Fátima. Também destacou propostas como a recuperação de 100% das estradas estaduais e a intenção de formar um eventual secretariado com 50% de mulheres.
O petista direcionou ataques a Allyson, a quem associou ao ex-governador Robinson Faria e às elites políticas, além de questioná-lo sobre investigações envolvendo a Prefeitura de Mossoró. Em um dos confrontos, perguntou: “Por que o senhor não assume que é bolsonarista?”. Também classificou o adversário como “candidato da pirotecnia” e rebateu questionamentos sobre os empréstimos consignados dos servidores estaduais levando o debate para as suspeitas de desvios de medicamentos em Mossoró.
Ponta Negra em debate
Álvaro utilizou sua passagem pela Prefeitura de Natal como principal credencial. Citou trajetória política, afirmou ter encerrado a administração com 65% de aprovação e defendeu obras executadas na capital. A engorda de Ponta Negra ocupou espaço importante no debate depois de Cadu de Lula questionar o investimento de cerca de R$ 100 milhões e levantar críticas sobre a execução do projeto.
Para rebater, Álvaro exibiu fotografias da praia antes da intervenção e defendeu a necessidade da obra. Também enfrentou Allyson em uma discussão sobre as contas deixadas na Prefeitura de Natal. O prefeito de Mossoró falou em um rombo de aproximadamente R$ 1 bilhão, enquanto Álvaro afirmou ter deixado cerca de R$ 500 milhões destinados a obras e citou aproximadamente R$ 1 bilhão relacionado ao NatalPrev.
Allyson vira alvo
Allyson esteve no centro de parte significativa dos confrontos. Além das cobranças de Cadu de Lula, foi questionado por Robério sobre a Operação Mederi e por Álvaro sobre investigações da Polícia Federal. O candidato do PL chegou a chamá-lo de “candidato dos segredos inacabados”, ao cobrar respostas relacionadas a dados de um celular. Allyson afirmou estar com a consciência tranquila e reagiu: “O senhor está nervoso!”.
O candidato do União Brasil também tentou transformar a concentração de ataques em argumento político. Em diferentes momentos, sugeriu que havia uma combinação dos adversários para intimidá-lo e disse que não pretendia fazer campanha olhando apenas para o “retrovisor”. Ao defender sua candidatura, destacou visitas aos 167 municípios, problemas como falta de água e leitos hospitalares no interior e dificuldades de mobilidade em Natal. Também apresentou juventude, trabalho e experiência como características de seu projeto.
Educação e gestão
Robério buscou se diferenciar dos três adversários e concentrou sua participação em áreas como educação, saúde, emprego e renda. Em confronto com Álvaro, questionou os indicadores educacionais de Natal e abordou o desempenho no Ideb, a educação em tempo integral e a situação dos professores.
Álvaro rebateu citando reformas de escolas, investimentos realizados durante sua administração e as dificuldades impostas pela pandemia. Também destacou iniciativas de formação de professores e experiências de ensino integral implantadas na capital.
Robério ainda criticou Allyson, associando sua candidatura às oligarquias e à velha política e questionando a existência de propostas concretas para o Estado. Ao confrontar Cadu de Lula, afirmou ter torcido pelo Governo Fátima, mas avaliou que a administração deixou a desejar.
Na saúde, os candidatos discutiram a falta de leitos no interior, a estrutura hospitalar de Natal e investigações relacionadas à administração de Mossoró. Na infraestrutura, além de Ponta Negra, apareceram as condições das rodovias estaduais e os problemas de abastecimento de água. Educação, geração de emprego e participação das mulheres na administração também entraram na pauta.
Tom da campanha
Ao final, o primeiro debate serviu menos para aprofundar os programas de governo e mais para delimitar os campos de confronto da eleição. Cadu de Lula foi cobrado pelo legado da gestão Fátima; Álvaro, pelos oito anos à frente de Natal; e Allyson, pela administração de Mossoró e pelas investigações envolvendo o município. Robério, sem uma gestão recente para defender, buscou ocupar o espaço de crítico dos três principais adversários.
Entre propostas, números, provocações e pedidos de direito de resposta, o encontro da Band abriu a fase dos confrontos diretos da campanha e indicou os temas que devem voltar ao centro da disputa pelo Governo do RN até outubro.

