A deputada federal eleita por Minas Gerais Ana Elisa (PT), de 21 anos, citou a vereadora assassinada Marielle Franco (PSol) em uma publicação nas redes sociais neste domingo (8) e afirmou que não será silenciada. A manifestação ocorre em meio às ameaças de estupro e morte e aos ataques racistas denunciados pela parlamentar nos últimos dias.
“Não aceito ser interrompida por cidadãos que não sabem respeitar a opinião de uma mulher eleita”, escreveu a petista na legenda de um vídeo publicado no Instagram.
Na publicação, Ana Elisa fez referência à trajetória de Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro assassinada em março de 2018, e relacionou a presença de mulheres na política aos desafios enfrentados para ocupar espaços de poder.
“Como nos ensinou Marielle Franco, ocupar espaços de poder também significa enfrentar estruturas que tentam nos silenciar”, declarou.
A deputada eleita também ressaltou que sua chegada à Câmara dos Deputados é resultado da escolha dos eleitores e afirmou que não aceitará intimidações.
“Meu mandato, minha voz e minha presença não são concessões. São resultado da vontade popular. Ser mulher na política não significa aceitar desrespeito, intimidação ou tentativas de nos colocar em nosso devido lugar”, escreveu.
“Eu tenho o direito de falar, de discordar, de me posicionar e de ser ouvida. E não vou abrir mão disso. Não serei interrompida. Não serei silenciada”, concluiu.
Ameaças de morte e estupro
A manifestação ocorre após Ana Elisa divulgar um vídeo em que expôs ameaças de violência sexual e assassinato recebidas por e-mail. Na gravação, a deputada eleita leu mensagens com ataques racistas e afirmou que passou a viver com medo desde que venceu as eleições.
A parlamentar também rebateu críticas à escolta policial que passou a acompanhá-la devido às ameaças. Segundo ela, a presença de policiais e câmeras de segurança em sua residência se tornou necessária para garantir sua proteção.
Nesse sábado (7), o Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou uma nota de solidariedade à deputada eleita, repudiou os ataques e cobrou providências para garantir sua segurança.
O ex-prefeito de Divinópolis e deputado federal eleito Gleidson Azevedo, irmão do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), também saiu em defesa da petista. Apesar das divergências políticas, Gleidson criticou os ataques à escolta policial e afirmou que não deseja nenhum mal à parlamentar.
*Com informações de Metrópoles

