O Partido Missão divulgou uma nota oficial nesta quinta-feira (13), na qual afirma ter sido vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta do senador Flávio Bolsonaro. Segundo a legenda, o próprio sistema identificou a irregularidade e, no mesmo dia, foi solicitada a anulação da filiação, mas o pedido teria sido rejeitado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
De acordo com o partido, o gabinete do senador foi informado sobre a situação no último dia 2. A legenda afirma que os e-mails enviados foram abertos, mas que não houve resposta.
Na nota, o Partido Missão informa que já adotou as medidas cabíveis junto à Polícia Federal (PF) e ao TSE para identificar os responsáveis pela suposta fraude.
Segundo a legenda, um relatório contendo registros de acesso, e-mails e endereços de IP será encaminhado às autoridades e disponibilizado à imprensa.
O partido também declarou que não tem interesse na filiação de Flávio Bolsonaro. Na nota, afirma que o senador possui “desalinhamento ideológico” em relação à legenda e cita que ele “figura em acusações e suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção”.
Por fim, o Partido Missão reafirma que não compactua com filiações fraudulentas e diz permanecer à disposição das autoridades para colaborar com a apuração dos fatos.
Defesa de Flávio pede para TSE acionar PF sobre fraude
A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que acione a Polícia Federal (PF) para apurar a filiação fraudulenta ao Partido Missão. O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, acolheu o pedido e determinou abertura de investigação.
A petição apresentada à Corte Eleitoral dizia que Flávio aparecia como filiado ao PL até a noite de quarta (12), mas que uma consulta feita na manhã desta quinta identificou a troca partidária sem a anuência do senador, o que descumpre resolução do TSE com exigência de manifestação expressa do filiado para efetivar a saída do partido.
“A janela temporal não deixa margem a dúvida razoável: entre 23h17 de 12/08/2026 e 09h42 de 13/08/2026 […] alguém, sem qualquer manifestação de vontade de Flávio Bolsonaro, inseriu no sistema oficial da Justiça Eleitoral um registro de filiação a partido diverso”, diz o documento.
A peça foi assinada pela advogada Maria Cláudia Bucchianeri Pinheiro, chefe da equipe jurídica de Flávio. Ela foi ministra substituta do TSE durante as eleições de 2022, por indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio migrou do antigo PSL – que viria a se fundir ao DEM para criar o atual União Brasil – para o Partido Liberal em 30 de novembro de 2021.

