O Plenário do Senado Federal rejeitou, por 42 votos contrários e 34 favoráveis, a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga de ministro no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão marca um episódio raro na história recente do país e provocou forte repercussão entre parlamentares do Rio Grande do Norte.
A deputada federal Natália Bonavides (PT) criticou o resultado da votação. Em publicação nas redes sociais, afirmou que a rejeição demonstra uma tentativa de parte do Senado de interferir nas prerrogativas do Executivo. “Quem quer impor ao país um semiparlamentarismo pela chantagem institucional pode até comemorar hoje, mas irá amargar nas urnas”, escreveu.
Também pelo PT, o deputado Fernando Mineiro avaliou que a rejeição teve motivação política. Segundo ele, a decisão busca impedir a chegada ao STF de um nome com “incontestável conhecimento jurídico” e compromisso com a democracia.
Em sentido oposto, a deputada Carla Dickson celebrou o resultado, classificando-o como uma “derrota histórica” do governo federal. Já o deputado General Girão publicou um vídeo nas redes sociais em tom de comemoração, afirmando que a decisão representa uma vitória política e defendendo a divulgação dos votos dos senadores.
O senador Rogério Marinho destacou o caráter histórico da rejeição, afirmando que não havia precedente semelhante desde o início da República. Em sua fala, ele interpretou a decisão como um recado ao governo federal sobre o equilíbrio entre os poderes e defendeu critérios como isenção e notório saber jurídico para futuras indicações ao STF.
A reportagem também procurou a senadora Zenaide Maia, que, por meio de sua assessoria, confirmou ter votado favoravelmente à indicação de Jorge Messias.

