O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) e tornou réus uma ex-servidora terceirizada da Justiça, um advogado e um detento apontado como liderança da facção Sindicato do Crime. Os três são investigados por integrar uma organização criminosa que teria atuado para favorecer integrantes do grupo dentro do sistema de execução penal.
A denúncia é resultado da Operação Entre Dois Mundos, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRN) em dezembro de 2025. Segundo a investigação, a organização utilizava o acesso da ex-servidora aos sistemas da 1ª Vara Regional de Execução Penal para obter benefícios judiciais a integrantes da facção.
Leia mais
- Auditoria do TCE dá nota zero para Allyson Bezerra em transparência
- Styvenson trai o discurso e confirma a própria irmã como sua suplente
- Cadu Xavier reúne 40 prefeitos e reforça articulação pela candidatura
De acordo com o MPRN, a ex-servidora teria realizado alterações em movimentações processuais, elaborado minutas de decisões, acessado informações sigilosas e produzido petições para membros da organização criminosa. O companheiro dela, apontado como liderança da facção, é acusado de intermediar o esquema e de atuar também em atividades ligadas ao tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e lavagem de dinheiro.
Ainda conforme a denúncia, o advogado investigado teria cedido seu certificado digital para a realização de peticionamentos judiciais e utilizado o acesso aos presídios para transmitir mensagens entre integrantes da facção presos e em liberdade.
Os três responderão por diferentes crimes, entre eles organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, advocacia administrativa, violação de sigilo funcional e comércio ilegal de armas de fogo, conforme a participação atribuída a cada um.
Durante o cumprimento dos mandados da operação, foram apreendidos celulares, um notebook, dinheiro em espécie, uma arma de fogo, munições e o certificado digital utilizado pelo advogado.
O Ministério Público informou ainda que, ao fim das investigações, não foram encontrados indícios de participação de outros servidores ou autoridades do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte nos fatos apurados.

