Por Elane Nascimento
Cinco estudantes do curso técnico em Química do Instituto Estadual de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação do Rio Grande do Norte (IERN) foram selecionadas para participar do World Food Forum (WFF), promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, na Itália. O grupo apresentará uma pesquisa voltada à recuperação de solos degradados da Caatinga por meio do uso de biomassa produzida por microalgas.
As alunas integram o projeto Ka’atinga, que nasceu dentro da escola pública e ganhou reconhecimento internacional ao ser escolhido para integrar um dos principais fóruns mundiais sobre alimentação, agricultura e sustentabilidade.
Segundo Ana Júlia Câmara Brum, uma das integrantes da equipe, o convite para participar do evento surpreendeu todas as estudantes.
“Na verdade, nós começamos o projeto no intuito de enviá-lo para uma competição. Nesse processo, conversamos com uma colega nossa, Carolina Damasio (NextGen), que estudou o nosso projeto e nos ajudou a enviá-lo para a FAO. Quando Carol nos contou a notícia de que nós tínhamos sido reconhecidas pela FAO e que fomos convidadas para estar presentes no WFF, todo mundo ficou muito feliz. Ficamos desacreditadas que alunas do ensino médio público foram reconhecidas pela própria ONU. Nós sabíamos que era uma experiência ímpar e nunca tinha passado pelas nossas cabeças esse resultado”, comentou.
Para a estudante, representar o Rio Grande do Norte em um evento internacional vai além da apresentação da pesquisa científica.
“Levar essa pesquisa para o WFF, para mim, representaria ressignificar o que é ser estudante de escola pública. Mais do que isso, o único grupo de estudantes do ensino médio no WFF 2026 ser completamente formado por alunas mulheres norte-rio-grandenses reafirma nosso protagonismo científico e a luta pela justiça social, além de inspirar outras estudantes de rede pública, mulheres, nordestinas e norte-rio-grandenses”, destacou.
O projeto surgiu a partir de um problema ambiental presente no semiárido: a degradação dos solos da Caatinga. A pesquisa estuda o potencial da biomassa produzida por microalgas como biofertilizante para recuperar áreas afetadas pelo processo de desertificação.
Ana Júlia explica que o método utiliza a microalga Scenedesmus, capaz de capturar dióxido de carbono durante seu desenvolvimento.
“De forma simples, nossa pesquisa propõe o uso da biomassa produzida por microalgas como biofertilizante para auxiliar na recuperação de solos da Caatinga afetados pela desertificação. A microalga Scenedesmus é capaz de capturar o dióxido de carbono e ser utilizada para outras finalidades após isso. Quando alimentadas adequadamente e cultivadas em um meio nutritivo, as microalgas produzem uma biomassa rica em nutrientes e matéria orgânica, podendo ser aplicadas ao solo e melhorar a qualidade dele”, esclareceu.
Além do potencial ambiental, a pesquisa reúne conhecimentos de química, biotecnologia e sustentabilidade desenvolvidos por estudantes da rede pública estadual.
Campanha busca recursos para apresentar projeto na Itália

Apesar da seleção para o World Food Forum, o grupo ainda precisa arrecadar recursos para viabilizar a viagem à Itália.
A campanha tem como meta reunir R$ 65 mil, valor destinado ao custeio das passagens aéreas, hospedagem e alimentação durante o evento.
“Nossa campanha para arrecadação de recursos tem como objetivo o financiamento da viagem, custear os valores das passagens, hospedagem e alimentação. Estamos com uma meta de R$ 65 mil para que possamos nos deslocar com segurança, lembrando que não possuímos recursos próprios para a viagem”, explicou Ana Júlia.
Além das doações por PIX, as estudantes buscam apoio de empresas e instituições interessadas em incentivar a pesquisa científica.
“O QR Code do nosso Pix está disponível na nossa conta no Instagram (@teamkaatinga), junto com os dados do projeto. Fora isso, estamos em busca de empresas e parceiros que possam e tenham interesse de colaborar com a temática e incentivar a ciência”, disse.
Participam do projeto as estudantes Ana Júlia Câmara Brum, Maria Clara Galdino e França, Maria Vitória Hora Tavares, Helena Marillac e Ana Terra Duarte.
As doações podem ser feitas por meio da chave PIX josangelah@gmail.com, em nome de Josangela Bezerra da Silva.
Caso a meta para a viagem não seja alcançada, os recursos arrecadados serão destinados ao fomento das atividades de pesquisa do projeto, garantindo a continuidade dos estudos desenvolvidos pelas estudantes do IERN.


