A escolha do Monsenhor José Sílvio de Brito como bispo auxiliar da Arquidiocese de Natal foi anunciada em 12 de fevereiro, atendendo a um pedido do arcebispo metropolitano, Dom João Santos Cardoso, diante de uma realidade que exige cada vez mais presença pastoral. Com dezenas de paróquias, diferentes contextos sociais e uma extensa área territorial, a arquidiocese passa a contar com um reforço na condução de suas atividades, retomando um posto que estava vago há mais de três décadas. A nomeação de Dom Sílvio ocorre após 33 anos sem a presença de um bispo auxiliar em Natal.
“Foi uma grande surpresa quando recebi o comunicado do anúncio. E, ao mesmo tempo, um motivo de muita alegria e emoção. Dom João tem uma visão pastoral muito boa, muito bonita e ele vê além. Então, ele chegou aqui e logo percebeu pelo tamanho da nossa arquidiocese, com tantas paróquias e tantos padres, precisaria de bispo auxiliar. Ele pediu dois bispos auxiliares, conseguiu um, que sou eu e está na luta pelo outro ”, conta.
Ao longo de mais de duas décadas, Dom Sílvio acumulou experiências que ajudaram a moldar sua atuação pastoral. Em nível arquidiocesano, exerceu funções como coordenador de zona, mestre de cerimônias, coordenador do Setor de Leigos e vigário episcopal para o clero. Desde o início do governo pastoral de Dom João Cardoso, passou a atuar como vigário geral da arquidiocese, função que o colocou em contato direto com a administração e os desafios cotidianos da Igreja local.
A missão de caminhar junto
Na prática, o bispo auxiliar é aquele que partilha responsabilidades com o bispo titular, neste caso, Dom João. Atua na administração, nas celebrações, nas visitas pastorais e, sobretudo, no cuidado com o povo.
“Eu vou somar com ele, caminhar com ele. Ele é o pastor por excelência dessa Igreja, e eu venho para ajudar nessa caminhada”, explica Dom Sílvio. A imagem que ele usa para definir sua missão é bíblica e simbólica: a de Simão Cireneu, aquele que ajudou Cristo a carregar a cruz.
Essa colaboração não é apenas organizacional. Ela é também pastoral, próxima, itinerante. Em uma arquidiocese com realidades tão distintas, a presença do bispo precisa se multiplicar, e é aí que o papel do auxiliar ganha força.
Entre a capital e o interior
Uma das primeiras tarefas confiadas a Dom Sílvio aponta para o futuro da Igreja no estado: a preparação da possível criação de uma nova diocese em Santa Cruz.
Mais do que um processo administrativo, trata-se de construir identidade. “É preciso criar estruturas, como casa do bispo, centro pastoral, e também trabalhar o sentimento de pertença. Hoje, todos estão ligados a Natal, mas isso vai mudar”, explica.
A missão exige presença constante: ora na capital, ora no interior. Celebrações, crismas, visitas pastorais e a implementação do plano pastoral da arquidiocese fazem parte da rotina que começa a se desenhar.
“Vai depender muito da necessidade de cada área. Tem dias que estarei em Natal, outros em Santa Cruz. A gente vai respondendo às demandas”, diz.
A fé como ponto de partida
Natural de Cruzeta, no Seridó potiguar, Dom Sílvio carrega consigo uma identidade que, segundo ele, nunca se perdeu, mesmo após anos de atuação na capital.
“Eu costumo dizer que saí do interior, mas o interior não saiu de mim”, afirma. A frase sintetiza uma dimensão importante de sua missão: a capacidade de transitar entre diferentes realidades sem perder o vínculo com suas origens.
Essa ligação, acredita, pode ser um diferencial no novo desafio. “Cada lugar tem sua realidade. Mesmo com toda a comunicação hoje em dia, as diferenças existem. Para mim, vai ser uma experiência muito rica”, avalia.
Um pedido simples, mas essencial
Diante da nova responsabilidade, Dom Sílvio não fala em planos grandiosos. Prefere resumir suas expectativas em um pedido, repetido diariamente em oração.
“Eu peço que o Espírito Santo nos dê sabedoria, discernimento e coragem”, diz. A inspiração vem de uma passagem bíblica: o rei Salomão, que, diante de Deus, pediu não riquezas ou poder, mas sabedoria para conduzir seu povo.
É com esse espírito que ele inicia sua missão episcopal: consciente dos desafios, aberto ao aprendizado e disposto a caminhar junto com o arcebispo, com os padres e, principalmente, com as comunidades.
No fim, como ele mesmo resume, trata-se de algo simples e profundo ao mesmo tempo: “Abraçar a missão com mais vigor, com mais energia e ajudar para que tudo dê certo. ”

