Por Wagner Guerra
Dotada de empatia e resiliência, a delegada de Polícia Civil, Michelle Barros, conduz de forma bem equilibrada e desafiante a dupla jornada entre maternidade e profissão de risco. Mãe de Giovana, 12 anos, e Amanda, 10 anos, a recifense de 46 anos se mudou para Natal, em 2012, após aprovação no concurso público. Atualmente, encontra-se lotada no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), onde se depara, diariamente, com inúmeros casos de feminicídio. Apesar de se considerar uma ‘pessoa tranquila’, Michelle age com pulso firme contra o crime, pautada pela estrita legalidade, assegurando que a Justiça seja feita com a punição adequada.
Mãe solo e mesmo sem rede de apoio da família onde reside atualmente, na Grande Natal, Michelle se diz grata a Deus por todas as conquistas alcançadas na vida, sobretudo pelas filhas menores, pela profissão de policial e pelo amor diário que recebe de dona Ávila Barros, 79 anos, a quem se inspira, tanto na maternidade, quanto na vida cristã. “São dádivas, melhores presentes que pude ter na vida. Invisto na educação delas e na própria criação que as tornem seres humanos bons, responsáveis e generosos para agir nos ensinamentos de Cristo. Quero aqui honrar a vida da minha mãe, que é uma pessoa que me ensinou o que é o amor, ser uma mulher justa, guerreira e honesta. Espelho-me a ser uma mãe tão boa quanto ela foi para mim e meus irmãos. Presto minhas homenagens”.

Com relação à jornada de trabalho, a delegada conta que sempre instruiu suas filhas com muita transparência. Segundo ela, Giovana e Amanda compreendem bem o grau de perigo inerentes à profissão policial, mas ficam aliviadas ao saber que a mãe atua seguindo todos os protocolos de segurança, conduzindo as missões na legalidade do que tange os direitos dos cidadãos, mesmo aqueles que são investigados e presos. Apesar disso, a delegada revela legítima preocupação com relação à segurança das filhas. “Tenho conhecimento de tudo. Para onde estão indo, de onde estão vindo, a questão dos horários, da companhias. Elas estão acostumadas com essa dinâmica”, explicou.
Para que todas essas responsabilidades profissionais e pessoais na maternidade seja efetivadas de forma positiva, Michelle revela o segredo: investir na saúde física, mental e espiritual, a fim de que as emoções sejam controladas e equilibradas. Dessa forma, pratica conscientemente ou não, uma filosofia estoica, onde não espera ser cobrada por algo além do que pode fazer e ter sob controle.
Outra dica da delegada para que mães consigam minimizar a carga pesada do trabalho é não procrastinar. “Quando estou no trabalho, tento acabar tudo que comecei, a exemplo de relatórios e investigações. Procuro deixar tudo encaminhado, porque sei que se cumprir minha missão vou chegar em casa sem ansiedade. No meu lar, aproveito ao máximo o tempo para me dedicar as minhas filhas, aos momentos de lazer junto a elas. Claro, que, as vezes, preciso alternar esses momentos, quando preciso levar algo do trabalho para casa. Porém, elas entendem isso de forma natural. Não causa impacto na nossa convivência”.

Ao declarar viver uma intensificação no combate à violência doméstica, não só pelo poder público, onde atua há 13 anos, mas também por parte da sociedade, a delegada
assume “mea culpa” ao precisar cumprir plantões na DHPP, principalmente quando as filhas a questionam se volta para casa no mesmo dia. “Ajustar isso é um desafio exaustivo, mas também muito prazeroso”, disse.

