O ABRAÇO DOS AFOGADOS NA TERRA DO SOL
Na política nordestina, o instinto de sobrevivência costuma superar qualquer cartilha ideológica.
Vendo a costumeira “surra” de intenção de votos que o lulismo impõe ao bolsonarismo no tabuleiro regional, a maioria dos postulantes de direita correu para esconder a foto de Flávio Bolsonaro no fundo da gaveta — afinal, ninguém quer entrar na chuva de cabo eleitoral já ensopado. Mas no Rio Grande do Norte, o marketing eleitoral decidiu transformar teimosia em virtude quase messiânica.
Enquanto seus pares nos estados vizinhos praticam o saudável exercício do distanciamento tático, o ex-prefeito Álvaro Dias (PL) segue agarrado ao herdeiro do clã Bolsonaro como quem segura uma âncora achando que é boia salva-vidas. O resultado, milimetricamente registrado pelos institutos de pesquisa, não surpreende ninguém com dois neurônios em atividade: a candidatura estacionou e, em vários redutos estratégicos do interior, já começa a marchar alegremente para trás.
A insistência beira o masoquismo político, mas encontra explicação nas coxias: o preço do apoio do senador Rogério Marinho, coordenador nacional da empreitada presidencial de Flávio. Para manter o aval do padrinho e as benesses da cúpula partidária, Álvaro aceitou carregar nos ombros o peso morto de uma rejeição galopante. Rogério dita a marcha do figurino nacional, e o candidato local executa o desfile, ainda que a passarela termine diretamente no precipício eleitoral.
Colar a imagem em um projeto nacional que sangra nas sondagens locais é um método quase científico de empurrar o eleitor indeciso para os braços alheios. Ao insistir na dobradinha com o filho do capitão, o ex-prefeito arrisca consolidar a infame “terceira via” das urnas potiguares — aquela que não vai a lugar nenhum.
O risco real, que tira o sono dos assessores mais lúcidos, é ver a polarização estadual escapar inteiramente pelos dedos: um segundo turno desenhado entre Alysson Bezerra e Cadu Xavier, deixando o representante oficial do bolsonarismo a ver navios. Pelo visto, a estratégia de Álvaro Dias tem sido um sucesso irretocável — especialmente para seus adversários, que acompanham de camarote o show de fidelidade que custa uma eleição.
PESQUISA
A pesquisa do Instituto DATAVERO publicada hoje como destaque neste Diário do RN reflete exatamente o que estamos comentando na abertura da coluna, A situação de Álvaro Dias estabilizou, até sofreu um pequeno declínio. De integrantes da campanha do ex-prefeito de Natal vem o aviso de que “as lideranças do interior vão começar a se mover agora”. Ah, tá!
PESQUISA 2
Na avaliação do quadro para o governo do estado, de acordo com a pesquisa, há um crescimento do candidato petista Cadu de Lula (PT) que saiu de 14,56% da pesquisa do dia 14/08 para 17,62% na atual pesquisa.
PESQUISA 3
O candidato do PL, Álvaro Dias tinha 26,48% na pesquisa de 14.agosto e na atual passou para 24,07%. Já Alysson Bezerra (União Brasil), tinha 37,31% na pesquisa anterior do DataVero e agora ficou com 37,21%.
MARKETING
Mas o marketing da campanha continua vinculando o nome do ex-prefeito Álvaro Dias à Flávio Bolsonaro que por sua vez tem uma rejeição gigante no meio do eleitorado potiguar. Enquanto isso, a campanha de Álvaro Dias ainda não recebeu um centavo da cúpula do Partido Liberal (PL) até ontem. Não tem sido por falta de cobrança.
REJEIÇÃO
Segundo a pesquisa do DataVero, realizada nos dias 23.24 e 25/08, ouvindo 1.500 eleitores, Flávio Bolsonaro tem uma rejeição de 51,40%, enquanto que a rejeição de Lula é de 27,27% junto ao eleitorado potiguar.
BLUSINHAS
O que uma campanha eleitoral não faz, hein? Logo no inicio de seu governo, o presidente Lula atendeu a recomendação do então ministro da Fazenda Fernando Haddad e taxou as compras feitos no exterior através das vendas diretas. Os petistas fizeram uma festa, “em defesa da produção nacional”.
BLUSINHAS 2
Empresários festejaram e o governo passou a arrecadar mais com os impostos na compra das “blusinhas”. Haddad era o mais festivo com a nova medida do governo Lula.
BLUSINHAS 3
Agora, no ano eleitoral e mais próximo ainda do dia do voto, o presidente Lula está fazendo um esforço hercúleo – inclusive o de se reaproximar de Alcolumbre, mesmo contra sua vontade – para revogar o que seu governo determinou: a chamada “taxa das blusinhas”. Incoerência é pouco.
PREVIDÊNCIA
Enquanto os dois principais candidatos a presidência da República se isentam em falar sobre a necessidade de uma reforma na previdência, a governadora Fátima Bezerra (PT) quer salvar a previdência estadual e pretende aumentar a alíquota paga pelos poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e Ministério Público.
ELEITORAL
Hoje, sexta-feira, 28, começa o programa eleitoral gratuito na televisão e no rádio. Oportunidade para o eleitorado avaliar as propostas de candidatos aos vários cargos.

