FLÁVIO QUER RECUPERAR O NORDESTE
O tabuleiro eleitoral brasileiro tem no Nordeste o seu território mais emblemático e decisivo.
Concentrando 27,4% de todo o eleitorado do país, a região historicamente impõe uma barreira quase intransponível para a oposição de direita e consolida uma hegemonia incontestável a favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não se trata apenas de matemática eleitoral, mas de uma relação forjada no sentimento, na identidade de quem nasceu na mesma terra castigada pela seca e na dependência visceral de programas sociais como o Bolsa Família, que o petismo sempre soube capitalizar com maestria incomparável.
No Rio Grande do Norte, o cenário não foge à regra do chão nordestino. As sondagens recentes do Instituto DataVero desenham com nitidez esse abismo: Lula mantém uma dianteira acachapante, abrindo mais de 50% de vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (58,59% contra 24,58%) na preferência do eleitorado potiguar. Romper essa muralha política e afetiva é a missão mais complexa da campanha bolsonarista.
Consciente de que não há vitória nacional sem encurtar essa distância no Nordeste, o comitê de Flávio Bolsonaro preparou uma ofensiva estratégica de alto impacto emocional, revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo. A meta central é desconstruir a mística lulista falando diretamente ao coração do eleitorado, com atenção redobrada ao público feminino — segmento no qual o filho do ex-presidente encontra suas maiores resistências. A leitura dos estrategistas é pragmática: se Lula vendeu um sonho por décadas, Flávio precisará confrontar o eleitor com a crueza da realidade.
A narrativa desenhada para o guia eleitoral de rádio e televisão se apoiará em três eixos dramáticos. O primeiro deles, batizado de “a esperança virou morte”, mira a chaga dos feminicídios e da violência doméstica, que castigam desproporcionalmente os lares nordestinos.
O segundo pilar, “a esperança que virou dívida”, atacará a inflação e a carestia que corroem o poder de compra, mostrando como o custo de vida sufoca justamente as famílias que dependem do Bolsa Família. Por fim, “a esperança que virou vergonha” trará à tona o crescimento visível e irrefutável da população em situação de rua nos centros urbanos.
O guia eleitoral na TV e no rádio será o grande palco dessa batalha de sentimentos e narrativas.
Resta saber se o discurso da desilusão terá força suficiente para desatar os laços históricos de afeto, gratidão e fidelidade política que ainda blindam Lula no Nordeste e, muito especialmente, no Rio Grande do Norte.
LULA
É hoje que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega ao Rio Grande do Norte para cumprir agenda política e será recebido pela governadora Fátima Bezerra e também pelo chamado “Time de Lula” formado por Cadu de Lula, Samanda de Lula e Rafael Motta, candidatos ao governo e ao senado.
MILITÂNCIA
A programação começa por Macaíba, por volta das 15h e será concluída com ato político no Arena das Dunas. A militância do Partido dos Trabalhadores está sendo toda mobilizada para proporcionar uma grande multidão
EMPREENDIMENTOS
Com juros estratosféricos, quem empreende no Brasil passa a viver momentos de dificuldades quase que insuperáveis. Os números de falências e concordatas retratam perfeitamente essa situação.
EMPREENDIMENTOS 2
Sobre esse assunto, o jornal Estado de São Paulo, o Estadão, trouxe em seu editorial “O Brasil é hostil ao empreendedor” uma análise da situação de quem empreende no país.
EMPREENDIMENTOS 3
Ao finalizar sua análise em editorial, o Estadão afirma que “Enquanto as contas públicas permanecerem cronicamente desequilibradas, os juros continuarão extorsivos para todos, sobretudo para os empreendedores”.
REPERCUSSÃO
O jornal carioca O Globo também repercutiu a crise vivida pelos empreendedores brasileiros em razão do desequilíbrio das contas públicas, através de seu editorial “Crise no varejo reflete ambiente hostil de juros altos”, e alerta: “Recuperação judicial de Casas Bahia e Marabraz expõe danos da irresponsabilidade fiscal do governo”.
CALAR
O candidato ao governo Alysson Bezerra (União Brasil, que lidera todas as pesquisas já divulgadas até o momento, tem se incomodado com a imprensa que atualiza os acontecimentos envolvendo a Operação Mederi da Policia Federal e da Controladoria Geral da União. Tem sido, realmente, o “calo” de Alysson na atual campanha.
NOVO CALO
Um outro assunto pode se tornar um “novo calo” na trajetória política de Alysson Bezerra que tem alardeado ser um bom gestor. O Tribunal de Contas do Estado está recomendando a suspensão do contra da Prefeitura Municipal de Mossoró com a empresa F2 Engenharia para a construção do “Arena Nogueirão”.
PREJUÍZO
Segundo estimativa de técnico do Tribunal de Contas do Estado, o contrato pode causar um rombo superior a R$ 143 milhões aos cofres da Prefeitura de Mossoró. Na edição de amanhã abordaremos o assunto na abertura da coluna.

