A CONTA DA LUZ VOLTA À CENA
Se você teve a sensação de um déjà vu eletrizante ao abrir os jornais no último fim de semana, acalme-se: não é falha na Matrix. É só o Brasil sendo, impecavelmente, o Brasil. No início de julho, precisamente no dia 3, sob o título “Governo e Congresso penalizam o consumidor”, esta modesta coluna já jogava luz — trocadilho intencional, porém doloroso — sobre a fábula surrealista que é o preço da energia por aqui. Pois bem, jornais como Folha de São Paulo e O Globo resolveram finalmente acordar para o baile e desfecharam editoriais demolidores contra o Governo Federal e o Congresso Nacional. Quem poderia imaginar que nossas doutas autoridades contribuiriam ativamente para encarecer a luz, hein?
É de uma generosidade poética fascinante. Não satisfeitos em nos conceder o glorioso título de país com uma das maiores cargas tributárias do planeta, Brasília e seus ilusionistas legislativos decidiram gabar-se de mais um troféu: a tarifa de energia mais cara do mundo. Afinal, dados do próprio setor escancaram que a nossa energia é cerca de 34% mais cara do que o seu preço real, uma margem inflada puramente para custear o festival de “ajustes”, jabotis legislativos e subsídios patrocinados pelo Congresso e devidamente respaldados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Entre benesses a apadrinhados e térmicas desnecessárias a gás ou carvão, a fatura que chega à sua casa parece mais o orçamento de uma pequena prefeitura. As consequências dessa genialidade conjunta são cristalinas. Para a indústria, a eletricidade virou “taxa de desincentivo à produção”, com consequências diretas aos consumidores. Para o cidadão comum, acender a lâmpada virou esporte de alto risco.
Passamos a operar sob a lógica do luxo: ar-condicionado é ostentação, ferro de passar é artigo de luxo e a geladeira exige planejamento orçamentário plurianual.
O mais divertido? Nossos ilustres representantes seguem prometendo a “transição energética do futuro”, enquanto nos cobram o preço do ouro por uma eletricidade gerada com mares e sol abundantes. Em suma, o brasileiro não paga por quilowatt-hora; paga por um consórcio de incompetência com taxa de administração abusiva.
DESPEDIDA
Aos 87 anos de idade e estando no seu 10º mandato de deputado estadual, o parlamentar José Dias (PL) fez suas despedidas na sessão de ontem, terça-feira, 4, no plenário da Assembleia Legislativa. Registrou que levará saudade da convivência com os demais parlamentares.
DISPUTA
A despedida do deputado José Dias já era esperada a partir do momento em que ele estava decididamente a não disputar o pleito de outubro próximo, encerrando o seu ciclo após 10 mandatos como deputado estadual. Durante seus mandatos, foi líder de governo e da oposição.
ADVERSÁRIO
Neste mandato como parlamentar, o deputado José Dias se tornou um dos mais rigorosos adversários da governadora Fátima Bezerra, mesmo sendo respeitoso em suas colocações quando fazia cobranças em defesa de seu eleitorado.
EMENDAS
Nos últimos dois anos, o deputado José Dias se tornou o mais implacável cobrador do governo estadual quanto a liberação das emendas parlamentares. Inclusive tendo recorrido à justiça para obrigar a governadora Fátima Bezerra a cumprir com o dever constitucional.
ADVERSÁRIO
Na mesma sessão de ontem, o deputado Francisco do PT, líder do governo, registrou a despedida do deputado José Dias, lembrando que a Assembleia Legislativa perderá um grande debatedor, mesmo eles tendo muitas divergências políticas.
CELEUMA
Entre notas de protestos, posicionamentos políticos e defesas com justificativas técnicas, aposentados e pensionistas do estado encararam mais um mês de seus proventos em atraso. A gritaria dos fora das folhas dos servidores em atividades é por conta de seus compromissos de final de mês. A celeuma já vem se repetindo e as reclamações agora se avolumando.
RECLAMAÇÕES
E as reclamações sobre atraso de salários por conta da falta de dinheiro no governo do estado não estaciona somente no grita das associações que defendem aposentados e pensionistas.
TERCEIRIZADOS
Há reclamações silenciosas no corpo de servidores terceirizados. As reclamações ficam mesmo no cochicho das repartições entre os que já estão há 2 e até 3 meses sem receber seus salários. Os terceirizados só podem mesmo reclamar às empresas ou paralisar as atividades.
TERCEIRIZADOS 2
Mas as várias empresas que prestam serviços aos vários órgãos do governo estadual já não disponibilizam de recursos para bancar o atraso no pagamento de seus contratados. Tem empresa que já tem mais de R$ 100 milhões para receber do governo do estado.
DEFESA
O líder do governo, deputado Francisco do PT, usou o plenário da ALRN para fazer a defesa da governadora Fátima Bezerra (PT) nesse episódio do atraso de pagamento dos aposentados e pensionistas e garantiu que nesta quarta-feira, 5, tudo será quitado.

