A MULTIPLICAÇÃO DE PROMESSAS NÃO CUMPRIDAS
Enquanto novas promessas eleitoreiras estão sendo engendradas pelo “Ministério do Marketing Eleitoral” para serem debulhadas durante os programas de rádio e televisão, a edição do jornal O Estado de São Paulo, o Estadão, de ontem, segunda-feira, dia 13, traçou um perfil cirúrgico da gestão federal. O diagnóstico é de uma precisão quase poética: o Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que o governo conseguiu a proeza de descumprir integralmente metade de todas as suas metas de investimento prioritárias. Daquelas promessas vistosas de campanha, desenhadas para arrancar lágrimas do eleitorado, o saldo atual é um fascinante e redondo zero. No fundo, é preciso reconhecer o talento; não é qualquer um que consegue errar 50% de tudo o que planejou fazer com o dinheiro dos outros.
Mas não sejamos injustos com o Palácio do Planalto. Afinal, a fantástica fábrica de rombos não opera sozinha. O verdadeiro pacto federativo brasileiro se consolida na arte de gastar o que não se tem. Estados e municípios, imitando o irmão mais velho de Brasília, decidiram entrar de cabeça no campeonato de endividamento público (e o nosso Rio Grande do Norte é um exemplo disso). É uma espécie de olimpíada às avessas, onde a medalha de ouro vai para quem deixar a maior herança de carnês atrasados para as próximas gerações.
E o que nos aguarda nos próximos anos? Bem, prepare o lombo e o bolso. A receita do sucesso econômico nacional para o futuro próximo é de uma simplicidade franciscana: o governo gasta com a alegria de um herdeiro deslumbrado, a dívida pública escala a cordilheira dos Andes e, no final da festa, a conta é elegantemente empurrada para o cidadão comum sob o disfarce de “ajuste fiscal”. O cidadão brasileiro, que já carrega o peso de uma das maiores cargas tributárias do planeta, terá que se desdobrar para financiar esse banquete de ineficiência de prefeitos, governadores e presidente da República.
Se o presente já nos brinda com metas descumpridas e contas no vermelho, o amanhã promete ser uma emocionante gincana de sobrevivência financeira. Portanto, respire fundo, aperte os cintos (se é que o cinto ainda cabe no seu orçamento) e prepare-se para os próximos capítulos. O governo finge que planeja, os juros fingem que caem, e nós fingimos que está tudo sob controle enquanto que parcelamos a feira do mês em intermináveis parcelas. Mas não perca o humor: pelo menos, enquanto o governo patina para entregar metade do que prometeu, a arrecadação de impostos continua operando com uma eficiência de dar inveja a qualquer relógio suíço. E assim, vamos viver mais um período de promessas não cumpridas e dívidas que serão rateadas até com os bebês que nascerão a partir de 2050.
Portanto, caros leitores e caras leitoras, que a sua paciência seja tão infinita quanto a criatividade tributária de nossos governantes.
ALYSSON
O jornal Folha de São Paulo publicou, nessa segunda-feira, 13, matéria com o ex-prefeito de Mossoró Alysson Bezerra, onde faz referência de destaque à carreira política do candidato ao governo do estado pelo União Brasil. A matéria recebeu o título “Ex-prefeito do RN enfrenta o PT e PL e aposta em discurso de superação pessoal”.
ENVOLVIMENTO
Somente no final da matéria que ocupou meia página é que o jornal faz referência ao envolvimento de Alysson Bezerra com a Polícia Federal, na Operação Mederi, ocorrida em janeiro passado.
NEGATIVA
Depois de um resumidíssimo relato do que teria sido a operação da Policia Federal e a investigação da CGU – Controladoria Geral da União, jornal não se deu ao trabalho de pesquisar os relatos da complexidade e trouxe trecho em que Alysson se defende.
TRECHO
Ao finalizar a matéria assinada pelo jornalista Josué Seixas, o jornal Folha de São Paulo trás o texto: “Alysson afirma que não foi alvo direto da ação e que a gestão adotou mecanismos de controle: “Tratei isso desde o inicio com transparência. A minha imagem é de um homem sério, de um gestor que entregou, que faz, que executa. Usaram isso para deturpar a minha imagem”.
VERSÃO
Ora, como Alysson pode dizer que não foi alvo direto das ações da Policia Federal – PF e da Controladoria Geral da União – CGU?
VERSÃO 2
Se a PF esteve em sua residência, apreendeu seus celulares e notebook, além de pen-drive, como é que Alysson diz que não foi alvo direto da Operação Mederi?
RESPONSABILIDADE
Ao dizer que “Usaram isso para deturpar a minha imagem”, o pré-candidato Alysson Bezerra está assegurando que as investidas da PF e da CGU cumprem “jogo de interesses”. Ou seja, ambas as instituições, na avaliação de Alysson, estariam a serviço de alguém.

