O CEO da OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, Sam Altman, provocou discussões no setor de tecnologia ao afirmar que considera “bastante terrível” a utilização de memória RAM em computadores pessoais, especialmente quando esses recursos permanecem ociosos durante grande parte do tempo. A declaração foi feita durante participação no podcast Cheeky Pint, apresentado por John Collison, cofundador da plataforma de pagamentos Stripe.
Durante a entrevista, divulgada no final de outubro, Altman argumentou que a distribuição de memória DRAM entre milhões de computadores individuais representa uma utilização pouco eficiente de um recurso que enfrenta restrições de oferta no mercado mundial.
“Do ponto de vista da alocação global, é bastante terrível que todo mundo tenha uma parte da oferta limitada de DRAM do mundo em seu próprio computador, sendo utilizada apenas 5% do tempo”, declarou o executivo, em tradução livre.
A discussão surgiu quando Altman foi questionado sobre a possibilidade de usuários executarem modelos de inteligência artificial diretamente em seus computadores, sem depender de servidores externos. Essa prática, conhecida como inferência local, permite utilizar determinadas ferramentas de IA sem enviar todas as solicitações para plataformas de computação em nuvem.
Para o executivo, embora essa alternativa ofereça maior autonomia aos usuários, a concentração dos recursos computacionais em grandes centros de processamento seria mais eficiente diante da crescente demanda por memória.
Segundo Altman, em um cenário de escassez de componentes, seria preferível que a capacidade disponível fosse utilizada continuamente em servidores compartilhados, capazes de atender simultaneamente a milhares de pessoas.
“Você quer a máxima utilização na nuvem quando está tentando lidar com esse ambiente de oferta muito limitada”, acrescentou durante a conversa.
Escassez de memória pressiona mercado de tecnologia
As declarações ocorrem em um momento de aumento da demanda mundial por componentes utilizados no desenvolvimento e na operação de sistemas de inteligência artificial.
Empresas como Samsung, SK Hynix e Micron estão entre as principais fabricantes de memórias DRAM, utilizadas tanto em computadores pessoais quanto em servidores e equipamentos de alto desempenho.
A expansão dos data centers destinados ao treinamento e à execução de modelos de IA tem intensificado a concorrência por capacidade de fabricação de chips, contribuindo para a pressão sobre os preços de componentes eletrônicos.
Nesse cenário, grandes empresas de tecnologia, incluindo a OpenAI, têm ampliado investimentos em infraestrutura computacional para sustentar o crescimento dos serviços de inteligência artificial.
A avaliação de Altman, entretanto, também levanta questionamentos sobre os interesses comerciais envolvidos na disputa por recursos tecnológicos. Isso porque o modelo de negócios da OpenAI depende, principalmente, de sistemas executados em servidores remotos, enquanto a utilização de modelos locais permite maior independência em relação às plataformas de nuvem.

