Por Fernanda Sabino
O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Cadu de Lula (PT) afirmou que o adversário Allyson Bezerra (União Brasil) “pode ser preso nos próximos seis meses”. A declaração foi dada durante o debate promovido pela TV Tropical, na noite desta segunda-feira (21), quando o petista voltou a explorar as investigações da Polícia Federal que envolvem o ex-prefeito de Mossoró. O debate reuniu ainda Robério Paulino (PSOL); Álvaro Dias (PL) não compareceu.
Cadu levantou o assunto durante uma discussão sobre segurança pública. Ao responder ao adversário, levou o embate para as investigações e questionou o eleitor sobre a possibilidade de escolher um candidato que, segundo ele, pode enfrentar consequências com o avanço das apurações.
“O que a gente tem que discutir aqui, estamos na reta final, é se você vai sair de casa, o senhor, a senhora, para votar num candidato que pode ser preso nos próximos seis meses”, disparou.
Na sequência, relacionou a afirmação à continuidade das apurações da Polícia Federal. “A investigação da Polícia Federal teve seu prazo renovado. Se não tivesse nada, ela teria sido arquivada. Pelo contrário, ela foi renovada, porque tem muita coisa para investigar”, declarou.
O petista usou a prorrogação do inquérito para reforçar o ataque ao adversário e sustentar que o caso ainda pode ter novos desdobramentos. Em agosto, a investigação foi prorrogada por mais 90 dias, após decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que manteve a Operação Mederi sob sua competência e preservou provas questionadas pela defesa da Dismed. A medida permite novas diligências, mas não antecipa eventual conclusão sobre responsabilidade criminal dos citados.
Cadu também levou para o debate os valores relacionados aos contratos sob investigação. “Temos Allyson, investigado em mais de R$ 400 milhões em supostos desvios, na gestão dele em Mossoró”, afirmou. O próprio petista classificou os desvios como “supostos”; o montante citado está relacionado aos contratos colocados sob suspeita nas apurações e não significa que R$ 400 milhões tenham sido comprovadamente desviados.
O tom subiu ainda mais quando Cadu passou a relacionar ações que pretende adotar para reforçar a segurança do estado. “É dessa forma que se combate a criminalidade, e não desviando recursos públicos da saúde, de medicamentos, para colocar o dinheiro ninguém sabe aonde, mas a Polícia Federal vai descobrir”, atacou.
Na mesma resposta, insistiu que o caso permanece aberto e que as apurações ainda podem produzir novos fatos. “Essa operação continua, ele continua sendo investigado, tem muita prova no processo, os vídeos estão saindo por aí, vocês estão vendo”, declarou.
Em outro momento do debate, Cadu voltou a mirar diretamente o adversário e resumiu o ataque em uma frase: “A tua casa vai cair. A Polícia Federal tá te investigando”, disse. A declaração reforçou o tom adotado pelo petista no confronto, no qual as investigações envolvendo a gestão de Mossoró estiveram entre os principais pontos utilizados contra Allyson.
Operação Mederi
Deflagrada pela Polícia Federal em janeiro, a Operação Mederi apura suspeitas de fraudes em licitações, corrupção e desvios relacionados à compra de medicamentos por municípios do Rio Grande do Norte. Allyson foi alvo de busca e apreensão e está entre os investigados. Informações dos autos apontam que a PF apura suspeitas de pagamento de propina envolvendo contratos da Dismed Distribuidora de Medicamentos.
O caso também chegou à esfera eleitoral. Uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada ao TRE-RN busca apurar se recursos supostamente desviados de contratos da saúde de Mossoró tiveram destinação eleitoral, inclusive para a campanha de Allyson. A eventual ligação entre esses recursos e a campanha ainda precisa ser comprovada durante a instrução.
Allyson nega irregularidades. Quando a operação foi deflagrada, sua defesa afirmou que “não há qualquer fato que o vincule pessoalmente” às suspeitas de fraude e recebimento de propina. Até o momento, a investigação não resultou em condenação do candidato.

