Por Fernanda Sabino
Um dia após o início oficial da campanha eleitoral, Álvaro Dias (PL) subiu o tom contra Allyson Bezerra (União Brasil) e trouxe a Operação Mederi para o confronto direto entre os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte. Em vídeo publicado nesta segunda-feira (17), o ex-prefeito de Natal mencionou a investigação da Polícia Federal envolvendo contratos da saúde de Mossoró e contrapôs o episódio aos seus 38 anos de vida pública.
“Eu já fui deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa, deputado federal, vice-prefeito e, por duas vezes, prefeito de Natal. Nesses 38 anos de vida pública, diferente de alguns, eu nunca acordei com a Polícia Federal na minha porta”, afirmou Álvaro.
O candidato encerrou a declaração com o slogan adotado na campanha: “Pense nisso e juntos vamos endireitar o Rio Grande do Norte, disse”.
Na legenda da publicação, a campanha também confrontou diretamente o discurso de renovação apresentado por Allyson. “Renovação com suspeita de corrupção não é o futuro que o RN quer”, diz o texto, que acrescenta: “Enquanto Allyson Bezerra já foi alvo de uma operação da Polícia Federal por suspeitas de propina e esquemas de corrupção, nós mostramos a força de 38 anos de história limpa”, publicou.
O vídeo também explora a idade e o tempo de vida pública de Allyson para reforçar a crítica.
“Allyson Bezerra é um dos gestores mais novos do Estado e se apresenta como renovação. Mas, mesmo tão jovem, na idade e na vida pública, já teve a Polícia Federal batendo na sua casa por indícios de um esquema de corrupção na área da saúde de Mossoró”, afirma a peça.
Na sequência, a publicação menciona suspeitas de fraude em licitação, desvio de dinheiro público e pagamento de propina investigadas no âmbito da operação e lança uma provocação ao candidato do União Brasil: “Allyson é mudança ou é bronca?”.
A publicação desta segunda-feira ocorre após Álvaro já ter explorado a Operação Mederi no primeiro debate televisionado entre os candidatos ao Governo, realizado pela Band no último dia 9. Na ocasião, o candidato questionou Allyson sobre o acesso da Polícia Federal aos celulares apreendidos durante a investigação.
Durante o confronto, Álvaro cobrou explicações sobre as senhas dos aparelhos e chamou o adversário de “candidato dos segredos inacabados ou dos segredos inconfessados”. Na ocasião, Allyson respondeu que seu celular estava “aberto” no processo. Posteriormente, Álvaro retomou o questionamento nas redes sociais, reforçando a cobrança sobre o acesso da Polícia Federal aos aparelhos apreendidos.
Operação Mederi
Deflagrada pela Polícia Federal em janeiro deste ano, com participação da Controladoria-Geral da União (CGU), a Operação Mederi apura suspeitas de fraudes em licitações e contratos para fornecimento de medicamentos e insumos à saúde pública em municípios do RN, entre eles Mossoró. As investigações envolvem suspeitas de direcionamento de contratos, superfaturamento, entrega parcial de medicamentos, desvio de recursos e lavagem de dinheiro.
A operação ganhou maior repercussão após elementos reunidos pela PF mencionarem a chamada “Matemática de Mossoró”. Em conversas analisadas pelos investigadores, empresários fazem referência a uma divisão de valores na qual 15% seriam destinados a “Allyson”, identificação associada pela investigação ao então prefeito.
No âmbito da operação, foram apreendidos três celulares relacionados a Allyson, entre eles, segundo informações da investigação, um aparelho descartável, conhecido como “burner phone”.
Allyson nega participação em desvios ou irregularidades envolvendo os contratos investigados.

