Mais de 30 mil pessoas participaram da procissão de encerramento da 271ª Festa de Nossa Senhora da Apresentação, padroeira de Natal, nesta quinta-feira (21), segundo informações da Arquidiocese de Natal. O evento teve início às 16h, em frente à Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, e foi finalizado com uma missa na Catedral Metropolitana da capital potiguar.
Iniciando o trajeto, o Arcebispo Metropolitano Dom João Santos Cardoso recebeu a todos destacando a satisfação com os nove dias de comemoração na capital. “Quanta graça, quanta alegria para nós estarmos participando de mais uma edição da procissão de encerramento da festa de Nossa Senhora da Apresentação, padroeira da nossa Arquidiocese e da cidade do Natal. Nós preparamos esse momento com grande expectativa. Durante nove dias, com a oração, com a meditação da palavra de Deus, nós refletimos sobre Maria, a Virgem orante”, disse.
Ele fez, ainda, uma reflexão sobre o legado de Nossa Senhora para os fieis e o significado da procissão. “Nesta caminhada, nós queremos aprender a orar com Ela. Nessa procissão, nesse momento de oração, nós podemos, percorrendo as ruas da nossa cidade, contemplando o que nós estamos vendo, orando, meditando situações da nossa vida, oferecendo a Deus para que ele transforme tudo isso sob intercessão de Nossa Senhora, assim, transformando dificuldades, tristezas em alegrias, como lá na festa de Canaa”, afirmou.
“A procissão, como experiência de peregrinação, nos faz recordar que a nossa vida é curta, breve; portanto, cada ato da nossa vida deve ser carregado de significado. E nós, porque somos peregrinos e queremos caminhar para os céus, nos mostra também que nessa peregrinação devemos viver como pessoas decentes, pessoas amorosas, pessoas que jamais guardem o mal no coração ou seja capaz de tramar o mal contra alguém, pessoas pacíficas, pessoas solidárias, empáticas, capazes de ver Deus no outro e reconhecê-lo”, completou o Arcebispo à multidão que aguardava o início da caminhada.
O número grandioso de participantes é tido pela organização do evento como o maior público de todos os anos, presente com dezenas de milhares de histórias de fé e devoção. Alguns, acompanhavam pela primeira vez; outros, chegam a ter história de décadas com a festividade de Nossa Senhora da Apresentação.
A dona de casa Maria das Dores da Silva é devota e comparece à procissão há mais de trinta anos. Viúva, ela costumava fazer a caminhada junto ao marido; agora, leva a filha para partilhar a celebração. Ministra Eucarística, Maria das Dores vive com afinco a fé católica e revela o significado de Nossa Senhora em sua vida. “Faz mais de trinta anos que venho porque Nossa Senhora, para mim, é tudo. Porque hoje, estou aqui por conta de Jesus e Maria, pois, com meu esposo, tudo era nós dois, e, quando ele se foi, sofri. Se não fosse minha Mãezinha, eu não estaria aqui”, contou.

Já a administradora Rebeca Maia, teve, este ano, a primeira experiência com a procissão. Também devota de Nossa Senhora, ela acredita que a fé foi o caminho que a levou à cura ao ficar em estado crítico após uma perda gestacional. “Tenho uma história muito forte, que envolve toda nossa família. Minha primeira gravidez, eu perdi, fiquei na UTI, por um fio mesmo, e, graças a Deus, à nossa devoção, à nossa fé, estou de volta com minha vida. Perdi minha bebê, mas hoje tenho dois bebezinhos incríveis. É um sentimento de alívio. A gente sabe que pode acreditar. Tem que entregar e confiar que o melhor vai acontecer”, disse.
O engenheiro eletricista Everton dos Santos afirma que foi criado em meio à fé católica e revela que o sentimento de celebrar a padroeira de Natal é de muita alegria. Ele marca presença na caminha há cinco anos, após uma promessa feita pela esposa pedindo pela saúde do filho do casal. “Quando meu filho nasceu, teve um problema nas perninhas e fez uma cirurgia, então, minha esposa fez a promessa de todo ano a gente vir, e, todo ano, a gente vem”, explicou.

Para o jovem estudante Emanuel Messias, o 21 de novembro é ainda mais especial. Ele nasceu no dia de Nossa Senhora da Apresentação, e, desde o primeiro ano de vida, tem sua celebração de aniversário acompanhando a procissão fluvial e a missa na Pedra do Rosário. Neste ano, participa pela primeira vez do evento de encerramento trabalhando para a Pastoral da Juventude da paróquia que frequenta.
“Estamos vendendo água para a gente ter um caixa. Começamos este ano e está dando super certo”, comemorou. Emanuel serve à Igreja há onze anos, tendo sido coroinha e, agora, fazendo parte de pastorais e conta que é preenchido por forte emoção quando se aproxima a data da padroeira. “Para mim, significa muito. Até fico muito ansioso um ou dois dias antes porque a gente vê a fé na gente mesmo e nos outros”, relatou.


