O surfista carioca Dadá Figueiredo morreu no sábado (24), aos 61 anos, após ser internado com pneumonia. Considerado um dos nomes mais influentes do surfe brasileiro na década de 1980, ele ficou conhecido por revolucionar o esporte com manobras radicais, influência do skate e uma personalidade ligada à cultura punk. A morte foi lamentada pela Federação de Surf do Estado do Rio de Janeiro (Feserj), que destacou seu legado para diferentes gerações de atletas.
Nascido no Rio de Janeiro, Dadá ganhou projeção nacional ao desenvolver um estilo agressivo e inovador, caracterizado por batidas verticais, rasgadas e movimentos inspirados no skate. Sua maneira de surfar ajudou a antecipar tendências do surfe progressivo e contribuiu para transformar a identidade da modalidade no Brasil.
Entre suas principais conquistas estão o título de campeão carioca de 1989 e a vitória no torneio Sea Club Final Heat, realizado em Saquarema, no mesmo ano. Em 1993, foi eleito o melhor freesurfer do Brasil pelos leitores de uma revista especializada, reconhecimento por sua atuação nas ondas para além das competições.
Federação lamenta morte e destaca legado
Em nota publicada nas redes sociais, a Federação de Surf do Estado do Rio de Janeiro lamentou a morte do atleta e ressaltou sua contribuição para a evolução do esporte no país.
“Com profundo pesar, a Federação de Surf do Estado do Rio de Janeiro lamenta o falecimento de Dadá Figueiredo, aos 61 anos”, declarou a entidade.
A federação também destacou que o surfista foi revolucionário nos anos 1980, ao incorporar uma atitude autêntica, o estilo punk e a radicalidade às ondas. Segundo a instituição, Dadá rompeu paradigmas e inspirou gerações de praticantes do esporte.
Do surfe à música punk
Além da trajetória esportiva, Dadá Figueiredo teve forte ligação com a música e a contracultura brasileira. Foi baixista da banda punk Os Normais e criou as marcas de surfe Anti-Fashion e Necrose Social, levando sua identidade contestadora também para a moda e o comportamento.
Ao longo da vida, enfrentou problemas relacionados à dependência química e passou por períodos de reabilitação. Posteriormente, tornou-se pastor evangélico e retomou sua relação com o esporte, dedicando-se à fabricação de pranchas e ao ensino do surfe.
Na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, criou uma escolinha para compartilhar seus conhecimentos com novas gerações de surfistas.
Sua trajetória também foi retratada no documentário Radical: A controversa saga de Dadá Figueiredo, lançado em 2014, que aborda momentos de ascensão, dificuldades pessoais e reconstrução de sua vida.
Dadá deixa três filhos, entre eles o também surfista Dávio Figueiredo.

