O caso de Ana Clara Gomes Machado, menina de 5 anos morta após ser atingida por um tiro de fuzil durante uma ação policial em Niterói, no Rio de Janeiro, voltou ao centro do debate político nacional neste domingo (18). Durante o primeiro confronto presidencial do segundo turno, promovido pela Band, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionou o senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre sua atuação como advogado de um policial militar acusado pela morte da criança.
O episódio ocorreu em fevereiro de 2021, quando Ana Clara brincava nas proximidades de sua residência, na comunidade Monan Pequeno, na região de Pendotiba. A menina foi atingida durante uma operação policial e não resistiu aos ferimentos.
O policial militar Bruno Dias Delaroli foi acusado de envolvimento na morte da criança. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentou denúncia contra o agente, e o caso foi encaminhado ao Tribunal do Júri, responsável pelo julgamento de crimes dolosos contra a vida.
Segundo reportagem publicada pelo Brasil de Fato, em 16 de outubro, Flávio Bolsonaro atuou na defesa do policial e, em 2024, assinou um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão que determinava o julgamento do acusado pelo júri popular. O recurso foi rejeitado.
Qual foi o envolvimento de Flávio Bolsonaro?
A participação de Flávio Bolsonaro no caso ocorreu por meio de sua atuação como advogado de Bruno Delaroli. O senador integrou a defesa do policial e assinou uma medida judicial que contestava seu encaminhamento ao Tribunal do Júri.
A atuação ganhou repercussão política porque Flávio tem como uma das principais bandeiras eleitorais o endurecimento das políticas de segurança pública e o combate à criminalidade.
Durante o debate, Lula questionou por que o adversário teria interferido para evitar a prisão de um policial acusado de matar uma criança de cinco anos com um tiro de fuzil.
Flávio respondeu que o presidente não poderia “criminalizar a advocacia” e argumentou que o policial ainda não havia sido julgado. O senador também questionou a postura de Lula ao tratar o acusado como responsável pela morte antes de uma condenação judicial.
De acordo com levantamento publicado pelo Brasil de Fato nesta segunda-feira (19), Lula fez duas cobranças sobre o episódio, mas Flávio não explicou especificamente os motivos de sua atuação no processo.
Caso foi retomado em meio a questionamentos sobre histórico do senador
A morte de Ana Clara não foi o único episódio envolvendo a trajetória de Flávio Bolsonaro mencionado por Lula durante o debate.
O presidente também questionou o adversário sobre homenagens concedidas ao ex-policial militar Adriano da Nóbrega, posteriormente apontado pelas autoridades como chefe do grupo de assassinos de aluguel conhecido como Escritório do Crime e ligado à milícia de Rio das Pedras.
Quando era deputado estadual, Flávio concedeu a Nóbrega a Medalha Tiradentes, maior honraria da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em 2005. O senador também empregou familiares do ex-policial em seu gabinete.

