Por Fernanda Sabino
Quatro anos depois de o Rio Grande do Norte definir a eleição para governador ainda no primeiro turno, os potiguares voltaram às urnas duas vezes em 2014. A disputa colocou frente a frente, na etapa decisiva, Robinson Faria (PSD) e Henrique Eduardo Alves (PMDB) e terminou com uma virada em relação ao resultado da primeira votação. Henrique saiu na frente em 5 de outubro, mas Robinson ampliou sua votação nas três semanas seguintes e venceu o segundo turno, realizado no dia 26.
A eleição representava uma mudança de cenário depois da vitória de Rosalba Ciarlini (DEM) em 2010. Naquele ano, a então senadora havia conquistado 52,46% dos votos e encerrado a disputa no primeiro turno. Em 2014, nenhum dos candidatos conseguiu ultrapassar a metade dos votos válidos na primeira votação, fazendo o Estado voltar a ter uma eleição em dois turnos para o Governo.
Robinson chegava à disputa depois de uma longa trajetória na política estadual. Eleito deputado estadual pela primeira vez em 1986, acumulou seis mandatos consecutivos e presidiu a Assembleia Legislativa durante sete anos. Em 2010, deixou o Legislativo para integrar, como vice, a chapa de Rosalba Ciarlini. Os dois, no entanto, romperam politicamente durante o mandato, e Robinson chegou à eleição seguinte como candidato ao Governo pelo PSD.
Do outro lado estava Henrique Alves, uma das figuras mais experientes da política potiguar.
Deputado federal desde 1971, ele estava no 11º mandato consecutivo e presidia a Câmara dos Deputados quando decidiu disputar pela primeira vez o Governo do Rio Grande do Norte.
As duas candidaturas também reuniram alianças distintas. Robinson tinha como vice o então deputado estadual Fábio Dantas (PCdoB) e liderava a coligação Liderados pelo Povo, formada por PSD, PCdoB, PT, PP, PTC, PEN, PRTB, PPL e PTdoB. Henrique tinha como vice João Maia (PR) e encabeçava a União pela Mudança, uma ampla composição que reunia 18 partidos.
Henrique sai na frente
No primeiro turno, realizado em 5 de outubro, Henrique Eduardo Alves confirmou a primeira colocação, mas não conseguiu alcançar votos suficientes para encerrar a disputa. O candidato do PMDB recebeu 702.196 votos, equivalentes a 47,34% dos válidos. Robinson apareceu em segundo lugar, com 623.614 votos, ou 42,04%. A diferença entre os dois era de 78.582 votos.
Robério Paulino (PSOL) terminou em terceiro lugar e teve uma votação expressiva diante da polarização entre os dois primeiros: foram 129.616 votos, correspondentes a 8,74%. Simone Dutra (PSTU) recebeu 14.549 votos (0,98%) e Araken Farias (PSL), 13.396 (0,90%).
O resultado levou o Rio Grande do Norte novamente a uma segunda votação. Era a segunda vez que uma eleição para governador no Estado chegava ao segundo turno. A primeira havia ocorrido oito anos antes, em 2006, quando Wilma de Faria derrotou Garibaldi Alves Filho. Em 2010, Rosalba havia interrompido a sequência ao vencer diretamente no primeiro turno.
Desta vez, Henrique entrava na etapa decisiva com a vantagem conquistada nas urnas, enquanto Robinson precisava não apenas incorporar parte dos votos dos demais candidatos, mas também superar a diferença aberta pelo adversário.
A virada no segundo turno
As três semanas seguintes mudaram o resultado da eleição. Se no primeiro turno Henrique havia terminado com quase 79 mil votos de vantagem, no segundo Robinson passou à frente e ampliou significativamente sua votação.
Robinson saltou de 623.614 para 877.268 votos, conquistando 253.654 votos a mais entre uma votação e outra. Henrique também cresceu, mas em proporção menor: passou de 702.196 para 734.801, um acréscimo de 32.605 votos.
Com isso, Robinson foi eleito governador com 54,42% dos votos válidos, contra 45,58% de Henrique. A diferença final chegou a 142.467 votos a favor do candidato do PSD. O resultado oficial confirmou a vitória de Robinson na noite de 26 de outubro.
A mudança também apareceu no mapa eleitoral. No segundo turno, Robinson venceu em 101 dos 167 municípios do Rio Grande do Norte, enquanto Henrique ficou à frente em 66.
A vitória levou Robinson ao Governo quatro anos depois de ter sido eleito vice-governador. Fábio Dantas, que havia conquistado seu primeiro mandato de deputado estadual em 2010, tornou-se vice-governador.
Fátima vence Wilma para o Senado
A eleição de 2014 também reservou uma disputa de peso para a única vaga disponível no Senado.
De um lado estava a então deputada federal Fátima Bezerra (PT); do outro, a ex-governadora Wilma de Faria (PSB), que tentava chegar ao Senado quatro anos depois de ter sido derrotada na mesma disputa.
Fátima venceu com 808.055 votos, equivalentes a 54,84%. Wilma recebeu 636.896 votos, ou 43,23%. No recorte municipal, Fátima ficou à frente em 115 cidades e Wilma em 52.
A vitória representou uma nova etapa na trajetória de Fátima, que havia sido deputada estadual por dois mandatos e exercia o terceiro mandato consecutivo de deputada federal. Antes disso, também havia disputado a Prefeitura de Natal em 2004 e 2008.
Câmara e Assembleia
Para a Câmara dos Deputados, Walter Alves (PMDB) foi o candidato mais votado, com 191.064 votos. Rafael Motta (PROS) apareceu em seguida, com 176.239, e Fábio Faria (PSD), filho de Robinson, recebeu 166.427. Também foram eleitos Zenaide Maia, Felipe Maia, Rogério Marinho, Antônio Jácome e Beto Rosado.
Na Assembleia Legislativa, Ricardo Motta (PROS) liderou a votação, com 80.249 votos. Entre os 24 eleitos estavam ainda Dison Lisboa, Galeno Torquato, Hermano Morais, Kelps Lima, Gustavo Carvalho, Ezequiel Ferreira, Getúlio Rêgo, Nelter Queiroz, Tomba Farias, Fernando Mineiro, George Soares e José Dias.

