A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que um grupo ligado ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria obtido informações sigilosas de investigações em andamento por meio de acessos considerados irregulares a sistemas de órgãos públicos.
As informações constam em relatório enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo o banco e seus integrantes.
Segundo a PF, o grupo chamado de “A Turma” funcionaria como uma estrutura paralela de vigilância e obtenção de informações. O relatório aponta que um dos integrantes, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Felipe Mourão” e “Sicário”, teria atuado na busca de dados protegidos por sigilo.
De acordo com os investigadores, Vorcaro pagaria cerca de R$ 1 milhão por mês para manter a estrutura. A PF afirma que os integrantes utilizavam logins funcionais de terceiros para consultar sistemas internos e acessar documentos restritos.
Consultas envolveriam MPF, PF e Banco Central
O relatório, que possui 164 páginas, reúne prints de conversas por aplicativos de mensagens e descreve consultas realizadas em bases de dados de órgãos públicos.
Entre os sistemas citados estão plataformas do Ministério Público Federal (MPF), da Polícia Federal e do Banco Central. A PF afirma que parte das consultas envolvia informações relacionadas ao próprio Vorcaro e a investigações sobre o Banco Master.
Os investigadores relatam que buscas foram realizadas com termos como “BRB AND MASTER”, em referência ao Banco de Brasília (BRB), envolvido nas negociações para compra do Banco Master.
Em uma das conversas analisadas pela PF, Vorcaro teria solicitado acesso amplo às informações. Segundo o relatório, após a solicitação, Sicário respondeu que faria novas consultas.
A PF afirma ainda que um servidor teria tentado ocultar sua identificação durante uma consulta ao sistema, apagando informações que poderiam revelar sua identidade e setor de atuação.
Relatório cita sistemas internacionais
A investigação também aponta que o grupo teria buscado informações em bases relacionadas a organismos internacionais, como a Interpol e o FBI.
Segundo a PF, mensagens analisadas mostram referências a consultas nesses sistemas. A corporação, no entanto, informou que verificou a Interpol brasileira e identificou que a imagem apresentada nas conversas não correspondia aos mecanismos oficiais disponibilizados pela organização internacional.
Os investigadores avaliam que o acesso poderia ter ocorrido por meio de sistemas estrangeiros ou bases alimentadas com informações internacionais.
No relatório enviado ao STF, a PF afirma que Vorcaro teria optado por caminhos ilícitos para acompanhar informações sobre investigações contra ele, em vez de utilizar os meios legais de acesso aos autos.
Operação Compliance Zero
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas envolvendo operações financeiras do Banco Master. A instituição entrou em processo de liquidação após decisão do Banco Central, que apontou problemas relacionados à situação econômico-financeira e ao cumprimento de normas.
As investigações também analisam negociações envolvendo o Banco de Brasília (BRB), que tentou adquirir o Banco Master.
Daniel Vorcaro permanece como um dos principais alvos da investigação. A PF também apura a atuação de outros envolvidos no suposto esquema.
Com informações da Agência Brasil

