Nem toda grande empresa começa dentro de uma fábrica. Algumas nascem em uma sala de aula. Foi assim que surgiu a Piccolo, indústria potiguar de sorvetes e picolés premium que completa uma década de atuação em 2026 e já está presente em cerca de 400 pontos de venda no Rio Grande do Norte e na Paraíba.
A história da empresa começou a partir de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) desenvolvido pela gastrônoma Gabriela Melo durante seu MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getulio Vargas (FGV), em Natal. A ideia inicial era criar uma gelateria, mas uma sugestão do pai fez o projeto tomar outro caminho: transformar o negócio em uma indústria.
Gabriela decidiu seguir a proposta, buscou especialização em produção de gelatos em São Paulo e, em 2016, fundou oficialmente a Piccolo. Dez anos depois, a empresa produz diariamente até 8 mil picolés e 4 mil potes de sorvete na fábrica localizada no bairro Alecrim, em Natal.
A expansão, no entanto, não fez a marca abandonar as características que estavam presentes desde o início. Mesmo trabalhando em escala industrial, a Piccolo mantém processos artesanais e aposta em ingredientes de qualidade e receitas desenvolvidas pela própria fundadora.
“Não importa quantos testes sejam necessários. Eu só lanço um produto quando acredito que ele chegou ao resultado ideal”, afirma Gabriela Melo, responsável pela criação dos sabores da marca.
Produção industrial com processos artesanais
Entre os diferenciais da Piccolo está a manutenção de etapas manuais mesmo com a produção em larga escala.
O coco, por exemplo, é ralado na hora e o leite de coco é extraído manualmente. Castanha de caju e rapadura são acrescentadas uma a uma nas receitas correspondentes. O crocante de amendoim também é produzido de forma artesanal.
Até o picolé de pipoca segue uma preparação própria: a pipoca é estourada e caramelizada no momento da fabricação.
A empresa também utiliza ingredientes associados à culinária regional, como cajá, coco, rapadura e castanha de caju. A proposta é combinar processos industriais com elementos que ajudam a construir uma identidade potiguar para os produtos.
Atualmente, o catálogo reúne aproximadamente 30 sabores de picolés e sorvetes. Entre os mais vendidos estão Rapadura com Coco e Chocolate Belga. Nos sorvetes de massa, o Leitinho Trufado aparece entre os destaques de vendas.
A marca também investe em combinações menos convencionais. É o caso dos picolés de Pipoca e Tapioca, criados para oferecer uma experiência diferente ao consumidor sem descaracterizar os sabores utilizados nas receitas.
Presença no mercado potiguar
A Piccolo conta atualmente com 20 colaboradores e atende hotéis, supermercados, mercadinhos, conveniências, empórios, postos de combustíveis e outros estabelecimentos parceiros.
A distribuição é feita exclusivamente pelo mercado atacadista, estratégia que ajudou a empresa a ampliar sua presença e chegar a aproximadamente 400 pontos de venda nos dois estados.
A trajetória também foi marcada por desafios. Durante a pandemia, a empresa enfrentou uma queda brusca nas vendas justamente no período em que se preparava para mudar para uma fábrica maior.
A retomada veio posteriormente com a entrada em grandes redes supermercadistas e o fortalecimento da distribuição dos produtos.
Ao longo dos dez anos, a empresa também recebeu reconhecimentos como o Selo Potiguar do Sebrae/RN e o convite para integrar a FIERN Jovem, iniciativas que contribuíram para ampliar a visibilidade da indústria no cenário empresarial potiguar.
Para Gabriela, o crescimento da empresa mantém relação direta com a proposta que orientou a marca desde o começo.
“Queremos proporcionar momentos de alegria por meio de produtos de alta qualidade, feitos com dedicação e respeito ao consumidor”, afirma.
Novos produtos e expansão
Após consolidar sua atuação no Rio Grande do Norte e na Paraíba, a Piccolo entra em uma nova etapa de crescimento.
A empresa prepara novos lançamentos para os próximos meses e já trabalha no desenvolvimento de produtos que ainda não foram divulgados. A estratégia de expansão também está em andamento, embora os detalhes não tenham sido revelados.
O objetivo, segundo a empresa, permanece ligado à proposta construída desde sua criação: ampliar a presença de uma marca genuinamente potiguar e levar seus produtos a um número cada vez maior de consumidores.
O que começou como um projeto acadêmico de uma jovem gastrônoma se transformou, dez anos depois, em uma indústria capaz de produzir milhares de unidades diariamente e distribuir seus produtos para centenas de pontos de venda.

