O Rio Grande do Norte alcançou a maior média do Nordeste nas três áreas avaliadas pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2025. O estado aparece na 11ª posição entre as 27 unidades da Federação em Leitura, Ciências e Matemática e registra o melhor resultado entre os 16 estados das regiões Norte e Nordeste.
Em 2025, os estudantes potiguares participantes da avaliação obtiveram média de 400 pontos em Leitura, 398 em Ciências e 366 em Matemática. Nas três áreas, o RN ficou à frente dos demais estados nordestinos.
O desempenho representa uma mudança significativa em relação ao resultado de dez anos atrás. Em 2015, o estado havia registrado 384 pontos em Leitura, 377 em Ciências e 353 em Matemática. Na comparação entre as duas edições, as médias cresceram 16 pontos em Leitura, 21 em Ciências e 13 em Matemática. Ciências apresentou o maior aumento absoluto entre os três domínios.
A evolução também aparece na posição ocupada pelo estado no cenário nacional. Em 2015, o RN estava na 21ª posição em Leitura, 22ª em Ciências e 23ª em Matemática. Em 2025, passou para a 11ª colocação nas três áreas. O avanço corresponde a dez posições em Leitura, 11 em Ciências e 12 em Matemática.
No recorte regional, a mudança também foi expressiva. Em 2015, o Rio Grande do Norte ocupava o quarto pior resultado do Nordeste em Leitura, o quinto em Ciências e o sexto em Matemática. Agora, lidera a região nas três áreas.
Um dos exemplos dessa evolução é a comparação com o Ceará. Na edição de 2015, os estudantes cearenses apresentaram médias 25 pontos superiores às potiguares em Leitura, 24 em Ciências e 29 em Matemática. Em 2025, o RN aparece numericamente à frente do estado nos três domínios avaliados.
Políticas educacionais
Para a secretária de Estado da Educação do Rio Grande do Norte, professora Socorro Batista, o resultado deve ser analisado dentro de uma trajetória de fortalecimento das políticas educacionais.
“O resultado do Rio Grande do Norte no Pisa 2025 é muito significativo. Alcançar a liderança do Nordeste nas três áreas avaliadas e avançar no cenário nacional mostra que o estado está construindo uma trajetória consistente na educação. Esse desempenho dialoga com um conjunto de ações que o Governo do Estado vem desenvolvendo, com foco na recomposição das aprendizagens, no acompanhamento pedagógico, na ampliação da educação em tempo integral e profissional, na melhoria da infraestrutura das escolas e no fortalecimento do trabalho de professores e gestores”, afirmou.
Segundo a secretária, o desempenho também representa um compromisso para a continuidade das ações. “É um resultado que reconhecemos com muita satisfação, mas também com a responsabilidade de seguir avançando, especialmente nos desafios que os próprios dados nos apresentam”, acrescentou.
No âmbito da rede estadual, o resultado ocorre em um contexto de ampliação das políticas voltadas à aprendizagem e à permanência dos estudantes. Entre as ações estão iniciativas de recomposição das aprendizagens, especialmente em Língua Portuguesa e Matemática, acompanhamento pedagógico e avaliações da rede.
Também foram ampliadas a oferta de educação em tempo integral e de Educação Profissional e Tecnológica. A estratégia reúne ainda iniciativas de busca ativa escolar, formação de professores, conectividade e investimentos na infraestrutura das unidades de ensino.
Participação no Pisa
O Pisa é realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e avalia a capacidade dos estudantes de aplicar conhecimentos e habilidades a situações e problemas do cotidiano.
Em Leitura, são consideradas competências como compreender, usar, avaliar e refletir sobre textos. Em Matemática, a avaliação contempla o raciocínio matemático e a capacidade de formular, empregar e interpretar conhecimentos para resolver problemas. Já em Ciências, o foco está na utilização de conhecimentos científicos para fundamentar ações e participar de discussões relacionadas à ciência, sustentabilidade e tecnologia.
No Rio Grande do Norte, 1.033 estudantes matriculados no Sistema Estadual de Ensino participaram da edição de 2025. No Brasil, a avaliação contou com 30.140 participantes.
A seleção dos estudantes ocorreu por meio de um processo de amostragem estatística em duas etapas, coordenado internacionalmente pela OCDE e, no Brasil, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O procedimento busca garantir que os estudantes selecionados representem a população estudantil do país.

