O mercado imobiliário de Natal registrou crescimento expressivo nos últimos 12 meses encerrados em junho de 2026. Segundo pesquisa da Brain Inteligência de Mercado, encomendada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Rio Grande do Norte (Sinduscon-RN) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-RN), a capital potiguar comercializou 1.720 unidades no período, um aumento de 78% em relação às 967 unidades vendidas no mesmo intervalo de 2025.
O levantamento, referente ao segundo trimestre de 2026, também aponta avanço no número de novos empreendimentos lançados. Foram 1.596 unidades colocadas no mercado até junho deste ano, contra 1.194 no mesmo período do ano anterior, representando crescimento de 34%.
O desempenho positivo nas vendas também impulsionou o Valor Geral de Vendas (VGV) dos imóveis verticais em Natal. O indicador chegou a R$ 931 milhões nos últimos 12 meses, ante R$ 671 milhões registrados no mesmo período de 2025, uma alta de 22%. Os valores são corrigidos pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI).
Além do aumento nas vendas, a pesquisa identificou valorização dos imóveis na capital. O preço médio do metro quadrado chegou a R$ 9.780 no segundo trimestre de 2026, contra R$ 8.353 no mesmo trimestre do ano passado. A alta acumulada em 12 meses foi de 17%.
Na comparação entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano, o valor médio do metro quadrado passou de R$ 9.286 para R$ 9.780, crescimento de 5,3%.
Entre as capitais nordestinas avaliadas pela Brain, Natal aparece com valor médio inferior ao registrado em Maceió (R$ 14.090), João Pessoa (R$ 13.915), Fortaleza (R$ 11.977), Salvador (R$ 11.492), São Luís (R$ 11.457) e Recife (R$ 11.240). A capital potiguar supera apenas Teresina (R$ 7.530) e Aracaju (R$ 7.397).
Região Metropolitana apresenta retração
Enquanto Natal registrou crescimento nos indicadores do mercado imobiliário vertical, a Região Metropolitana apresentou queda nas vendas e nos lançamentos.
As vendas de imóveis verticais caíram 47%, passando de 1.490 unidades comercializadas no acumulado até junho de 2025 para 794 unidades no mesmo período de 2026. Já os lançamentos recuaram 53%, de 637 para 301 unidades.
O VGV também apresentou redução na Região Metropolitana. O valor passou de R$ 246 milhões para R$ 85 milhões, uma retração de 65%.
No segmento residencial horizontal, o cenário também foi de queda. Foram lançadas 650 unidades nos últimos 12 meses até junho de 2026, contra 932 no mesmo período anterior, uma redução de 30%. As vendas diminuíram 27%, passando de 1.529 para 1.115 unidades comercializadas.
Petrópolis tem maior valor médio por metro quadrado
Entre os bairros de Natal analisados pela pesquisa, Petrópolis apresentou o maior preço médio do metro quadrado, seguido por Tirol e Ponta Negra. Já Pajuçara registrou o menor valor entre os bairros avaliados.
Para Marcelo Toscano, diretor de operações do Sebrae-RN, os dados ajudam empresários e pequenos negócios do setor a tomarem decisões estratégicas.
“Os dados mostram um mercado imobiliário mais aquecido em Natal, com crescimento expressivo nas vendas e valorização dos empreendimentos. Esse movimento revela a existência de uma demanda consistente e reforça a importância de acompanhar o comportamento do setor para identificar oportunidades e desafios”, afirmou.
O vice-presidente de Mercado Imobiliário do Sinduscon-RN, Francisco Ramos, destacou que os números apontam um momento de maior dinamismo para o setor na capital potiguar.
“Os números mostram que Natal vem consolidando uma trajetória de crescimento, com aumento expressivo nas vendas e valorização dos imóveis. O avanço de 78% nas vendas, acompanhado pelo crescimento do VGV, demonstra que existe uma demanda consistente e capacidade de absorção dos novos produtos pelo mercado”, avaliou.
Segundo Ramos, apesar do cenário positivo, o setor ainda precisa acompanhar fatores como juros e custos de produção.
“O crescimento das vendas, mesmo com os desafios relacionados aos juros e aos custos de produção, mostra a confiança do consumidor e a força do mercado local. Ao mesmo tempo, a diferença observada em relação à Região Metropolitana indica que precisamos olhar para as particularidades de cada mercado e buscar condições que permitam a retomada dos lançamentos e das vendas nessas áreas”, afirmou.
Para o representante do Sinduscon-RN, a valorização dos imóveis reflete a combinação entre demanda aquecida e custos de construção.
“A valorização de 17% no preço médio do metro quadrado em um ano reflete a combinação de uma demanda aquecida com os custos envolvidos na produção dos empreendimentos. Natal ainda apresenta preços competitivos quando comparada a outras capitais nordestinas, o que mantém a cidade atrativa tanto para quem busca moradia quanto para investidores”, concluiu.

