Por Fernanda Sabino
A Operação Mederi, da Polícia Federal, voltou ao centro do embate entre os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte. Durante o debate da Band no domingo (09), Álvaro Dias (PL) questionou Allyson Bezerra (União Brasil) sobre o acesso dos investigadores ao celular apreendido no âmbito da operação e afirmou que o adversário teria se recusado a fornecer a senha do aparelho.
O assunto apareceu mais de uma vez durante o confronto. Ao dirigir uma pergunta a Allyson, Álvaro cobrou explicações sobre o episódio e associou a suposta recusa às investigações conduzidas pela Polícia Federal.
“Você se recusou a dar a senha do celular para a Polícia Federal, que está investigando o maior escândalo”, afirmou Álvaro, ao mencionar a busca e apreensão realizada durante a investigação.
Mais adiante, o candidato do PL voltou ao tema após considerar que Allyson não havia respondido ao questionamento. “Outra coisa, você não respondeu à pergunta que eu fiz: por que não entregou o segredo do celular à Polícia Federal?”, insistiu.
Álvaro utilizou o episódio ainda para ironizar o adversário. Ao fazer referência às críticas de Allyson sobre obras deixadas por sua administração em Natal, o ex-prefeito devolveu: “Você me chama de candidato A ou B, mas eu vou começar a lhe chamar de candidato dos segredos inacabados ou dos segredos inconfessados”, declarou, antes de ter o tempo encerrado pela mediação do debate.
O assunto reapareceu em outro momento do programa, quando Álvaro voltou a cobrar respostas às perguntas feitas ao candidato do União Brasil e novamente mencionou o celular apreendido.
Allyson, por sua vez, rebateu a acusação durante o debate e afirmou que o aparelho está acessível no processo. “Para ficar muito claro para vocês, talvez vocês não estejam cientes dentro do processo, mas o meu celular está aberto”, declarou.
A discussão levou para o debate eleitoral um dos pontos explorados pelos adversários de Allyson desde o avanço das investigações sobre contratos públicos na área da saúde em Mossoró. Até o momento, contudo, os elementos investigados não representam condenação definitiva do candidato.
Operação deflagrada pela PF investiga fraudes na saúde
Deflagrada pela Polícia Federal em janeiro deste ano, a Operação Mederi apura suspeitas de fraudes em licitações e contratos para fornecimento de medicamentos e insumos à saúde pública em municípios do Rio Grande do Norte. A investigação conta com participação da Controladoria-Geral da União (CGU).
As apurações envolvem empresas fornecedoras, entre elas a Dismed, e contratos mantidos com diferentes municípios, incluindo Mossoró. Entre as suspeitas estão direcionamento de contratos, sobrepreço, superfaturamento, entrega parcial de medicamentos, desvio de recursos e lavagem de dinheiro.
A investigação ganhou maior repercussão política após elementos reunidos pela PF mencionarem a chamada “Matemática de Mossoró”. Em conversas analisadas pelos investigadores, empresários fazem referência a uma divisão de valores na qual 15% seriam destinados a “Allyson”, identificação associada pelos investigadores ao então prefeito. Allyson nega irregularidades e envolvimento em desvios.
No âmbito da operação, foram apreendidos três aparelhos celulares relacionados a Allyson, entre eles, segundo informações da investigação, um telefone descartável, conhecido como “burner phone”. No debate da Band, Álvaro concentrou as cobranças no acesso da Polícia Federal ao conteúdo desses aparelhos e questionou o adversário sobre o fornecimento das senhas.
Desde o avanço da Mederi, a investigação tem sido um dos principais pontos explorados pelos adversários de Allyson na campanha ao Governo do Estado.

