LUIZ ANÍSIO E A COR COMO MEMÓRIA, EXPERIÊNCIA E INVENÇÃO
O PRIMEIRO ENCONTRO COM AS CORES
Nascido em Goianinha, no Rio Grande do Norte, em 23 de agosto de 1971, Luiz Anísio da Silva é filho de João Anísio da Silva e Isabel Norberto da Silva. Sua relação com a arte começou espontaneamente, ainda na infância. Por volta dos seis anos, seu pai recebeu de um policial da Polícia Rodoviária Federal vários tubos de tinta. Luiz passou a brincar com aquele material, fascinado pelas misturas, tonalidades e possibilidades que surgiam diante de seus olhos. Ali nasceu uma paixão que o acompanharia por toda a vida.
FORMAÇÃO EM NATAL E ENCONTRO COM OS MESTRES
Em 1985, já vivendo em Natal, Luiz conheceu a Escolinha Criarte, mantida pela Prefeitura do Natal, onde estudou desenho e pintura ao lado de Fernando Gurgel, Mader Wainer e Viana de Natal. Depois de um ano, seguiu para o Ateliê Central, então ligado ao Governo do Estado.
Nesse espaço, teve contato com Alcides Sales, Jomar Jackson e Luiz Elson, onde estudou pintura com Jomar Jackson e desenho com Alcides Sales e Luiz Elson, consolidando uma formação fundada na observação, no domínio do traço e na investigação da matéria pictórica.
A GENEROSIDADE DE ALCIDES SALES
Entre esses encontros, Alcides Sales ocupa lugar especial em sua trajetória. Luiz reconhece nele o mestre que abriu portas, apresentou pessoas e criou oportunidades decisivas.
Por sua indicação, ministrou aulas de desenho e pintura durante quatro anos na Fundação José Augusto e na Fundação Hélio Galvão. Também participou, ao lado de Alcides, de um curso de litografia no NAC da UFRN. Essa experiência ampliou seu repertório e fortaleceu sua relação com os processos gráficos e com a disciplina do desenho.


O GRUPO PASSO A PASSO E A CIRCULAÇÃO DA OBRA
Nos anos 1990, Luiz fundou o Grupo Passo a Passo ao lado de Jaelson Júlio, Fábio Eduardo, do poeta Alessandro Tavares e do fotógrafo Adrovando Claro. O coletivo realizou exposições em Natal e fora do estado, dividindo espaços com artistas como Dorian Gray e Jair Penny.
Em 1994, mudou-se para o interior de São Paulo, onde viveu por nove anos e meio. O período foi enriquecedor, marcado pelo acesso a grandes mostras e pelo contato com referências nacionais. Em 2000, participou do Mapa Cultural Paulista, chegou à semifinal e teve seu trabalho incluído no catálogo oficial.
ENTRE O EXPRESSIONISMO E A EXPERIMENTAÇÃO
As duas telas revelam sua postura experimental. No retrato, a deformação fisionômica, o olhar arregalado, a boca tensa e o contraste entre vermelho, negro e tons pálidos aproximam a obra da tradição expressionista. A figura não busca semelhança acadêmica, mas intensidade psicológica. As manchas, a assimetria e o traço aparente transformam o rosto em território de tensão, espanto e inquietação humana.
Na composição da cadeira, a referência muda. O objeto cotidiano é reconstruído por linhas sobrepostas, raspagens e cruzamentos gráficos. A cadeira vermelha, a pequena flor e o fundo escuro criam uma cena silenciosa, quase simbólica. A técnica sugere diálogos com o desenho gestual, a gravura e certas soluções neoexpressionistas.
Hoje, Luiz Anísio define-se como artista experimental. Não se prende a uma escola única, permite que cada técnica sirva à ideia e que cada cor encontre a forma mais verdadeira de dizer.

