As chuvas intensas registradas no litoral do Rio Grande do Norte devem continuar nos próximos dias, embora com menor intensidade. A previsão é da Unidade Instrumental de Meteorologia da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), que monitora as condições atmosféricas e oceânicas responsáveis pela formação das precipitações.
Em Natal, o volume acumulado superou os 58 milímetros nas últimas 12 horas, segundo a meteorologia da EMPARN. O índice é considerado significativo, especialmente porque o solo já estava encharcado em razão das chuvas registradas durante o fim de semana, aumentando o risco de transtornos, principalmente em áreas suscetíveis a alagamentos.
De acordo com o meteorologista da EMPARN, Gilmar Bristot, o principal fator responsável pelas chuvas é o aquecimento das águas do Oceano Atlântico Sul nas proximidades da costa potiguar, que favorece o aumento da umidade e a formação de nuvens carregadas.
“Nas últimas 24 horas, principalmente a partir do meio-dia de ontem, tivemos novamente chuvas intensas acontecendo aqui no litoral. Em Natal, nessas últimas 12 horas, já choveu acima de 58 milímetros. Para um solo que já estava encharcado devido às chuvas do fim de semana, isso traz transtornos, principalmente em áreas com lagoas de captação, onde já existe acúmulo de água e até transbordamentos”, explicou.
Oceano aquecido favorece formação das chuvas
Segundo a análise da EMPARN, o aquecimento das águas do Atlântico Sul intensifica a evaporação e aumenta a disponibilidade de umidade na atmosfera. Com os ventos predominantes de sul e sudeste transportando essa umidade para o continente, formam-se áreas de instabilidade que provocam as chuvas sobre o litoral.
Além disso, a atuação mais intensa da Alta Pressão Subtropical do Atlântico Sul reforça esses ventos, mantendo as condições favoráveis para a continuidade das precipitações.
“As águas próximas ao litoral do estado estão mais aquecidas, liberando mais umidade. O vento traz essa umidade para o litoral e, quando ela chega aqui, ocorre a formação das chuvas. A alta pressão do Atlântico Sul está mais intensa, fortalecendo esses ventos e mantendo as instabilidades presentes pelos próximos dias”, detalhou Bristot.
Chuvas continuam, mas devem perder intensidade
Apesar da permanência das instabilidades, a tendência é de redução no volume de chuva em comparação ao registrado nas últimas horas. A previsão indica céu parcialmente a totalmente nublado, com pancadas concentradas durante a madrugada e nas primeiras horas da manhã, período em que o contraste térmico favorece a formação das precipitações.
“A previsão mostra que as chuvas deverão continuar diminuindo. Não será a mesma intensidade observada nas últimas 12 horas, mas deveremos ter a continuidade das precipitações, principalmente durante as madrugadas e o início da manhã, quando o contraste térmico é maior”, afirmou o meteorologista.
No interior do estado também há registros de chuva, porém de forma mais isolada e com menores acumulados. As precipitações mais significativas permanecem concentradas na faixa litorânea, onde a influência das condições oceânicas é mais intensa.
Monitoramento permanece
A EMPARN informou que seguirá acompanhando a evolução das condições meteorológicas para atualizar as previsões e orientar a população.
“No interior também está chovendo em algumas áreas, mas em menor quantidade. As maiores chuvas continuam acontecendo no litoral devido às condições do oceano e da atmosfera. Vamos continuar monitorando para verificar até quando essas chuvas vão atuar e quando poderemos ter um período de sol mais efetivo”, concluiu Gilmar Bristot.

