O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu 185 visitas em sua casa, em Brasília (DF), nos quatro meses em que cumpre a pena a que foi condenado por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes.
Bolsonaro foi transferido da Papudinha para prisão domiciliar em 27 de março e convive desde então com sua esposa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a filha do casal e a enteada do ex-presidente.
Trabalham diariamente na casa agentes de segurança que atuam na escolta de Bolsonaro, em função de se tratar de um ex-presidente da República, e uma cozinheira.
Os filhos de Bolsonaro visitaram o pai 31 vezes nesses quatro meses. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolhido pelo ex-presidente para disputar a Presidência neste ano, esteve 18 vezes com o pai nas visitas destinadas aos filhos. Flávio também esteve em outra ocasião com a esposa e a filha.Play Video
O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC), pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, esteve 11 vezes com o pai na casa dele. Já o ex-vereador Jair Renan (PL-SC), que disputará uma vaga de deputado federal, visitou o pai duas vezes.
Desde março, Bolsonaro recebeu seus três médicos em 70 ocasiões. A equipe que atende o ex-presidente está autorizada para comparecimento permanente sem necessidade de prévias autorizações do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
O fisioterapeuta do ex-presidente esteve 17 vezes na casa de Bolsonaro. O profissional foi autorizado por Moraes a realizar as sessões de uma hora de fisioterapia às segundas-feiras, quintas-feiras e sábados.
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Bolsonaro também se reuniu com seis de seus advogados por 64 vezes nesses quatro meses. Os advogados inscritos na defesa do ex-presidente podem visitá-lo todos os dias de semana por 30 minutos entre 8h20 e 18h.
João Henrique Nascimento de Freitas, que foi assessor especial, presidiu a Comissão de Anistia e integrou a Comissão de Ética Pública, visitou o ex-presidente 29 vezes e foi o advogado que mais esteve com Bolsonaro.
Em segundo lugar aparece Flávio Bolsonaro, com 15 visitas entre abril e junho. O filho do ex-presidente foi inscrito como seu advogado no início de março para ampliar os contatos durante a prisão domiciliar e tratar com Bolsonaro de assuntos relacionados ao PL e à disputa eleitoral.
Bolsonaro ainda recebeu duas visitas pontuais neste período: um cabeleireiro em maio e uma funcionária de um cartório de Brasília em junho. Ainda visitaram a casa do ex-presidente um prestador de serviços, que esteve três vezes na residência, um eletricista, que realizou duas visitas, e técnicos em refrigeração que estiveram uma vez em junho.
O detalhamento das visitas a Bolsonaro foi incluído pelo ministro Alexandre de Moraes na decisão que barrou visitas ao ex-presidente por 30 dias e a divulgação de manifestos político-eleitorais.
“Ressalte-se, por fim, ser patética a alegação de que restrições temporárias de visitas por descumprimento de medidas cautelares acarretariam a incomunicabilidade do custodiado Jair Messias Bolsonaro”, escreveu Moraes antes de elencar as 185 visitas ao ex-presidente nos últimos quatro meses.
O ministro afirma em sua decisão não haver dúvidas de que a situação de Bolsonaro “é incomparavelmente mais benéfica que as situações das 705.872 pessoas recolhidas em unidades prisionais físicas”.
“Entretanto, os benefícios de sua prisão domiciliar humanitária não podem acarretar odiosos privilégios contrários à legislação e autorizar flagrante desobediência às decisões judiciais, inclusive por seus advogados”, escreveu o ministro.
Moraes concluiu que Bolsonaro violou a ordem que o proibia de usar as redes sociais diretamente ou por meio de terceiros. “Houve flagrante descumprimento da medida cautelar por Jair Messias Bolsonaro, com sua participação ativa na preparação do ‘material pré-fabricado’ para posterior divulgação nas redes sociais de seu filho e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Nantes Bolsonaro, conforme demonstram vários trechos da ‘Carta aos brasileiros’”, escreveu Moraes.
Dias antes, Moraes determinou a suspensão, por 90 dias, das visitas de Flávio ao pai. O ministro concluiu que o senador e pré-candidato à Presidência violou a ordem que impedia o ex-presidente de usar as redes sociais por meio de terceiros.
*Com informações de CNN

