Por Fernanda Sabino
A proximidade da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1 e reduz a jornada semanal de trabalho segue em pauta no Senado Federal. No Rio Grande do Norte, a senadora Zenaide Maia voltou a defender publicamente a proposta, que já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e aguarda análise dos senadores, com expectativa de ocorrer antes do recesso legislativo, previsto para meados de julho.
Em nota enviada ao Diário do RN por meio do PSD, a parlamentar reafirmou a coerência de sua trajetória política e destacou sua atuação alinhada às pautas sociais e trabalhistas.
“A senadora Zenaide Maia sempre manteve coerência com suas posições políticas e com sua atuação parlamentar”, afirma o texto. A nota lembra que a parlamentar votou contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, permanece como vice-líder do governo de Luiz Inácio Lula da Silva no Senado e já declarou apoio à reeleição do presidente.
O comunicado também ressalta a atuação da senadora em favor do Rio Grande do Norte. “Ao longo de sua trajetória, Zenaide sempre foi parceira do Rio Grande do Norte, destinando recursos, defendendo pautas de interesse da população e exercendo o mandato com independência e compromisso social”, registra a nota.
O documento ainda faz referência ao cenário político estadual e à relação da parlamentar com o grupo governista. Segundo o PSD, “apesar disso, foi sendo afastada pela governadora Fátima Bezerra das construções políticas do grupo, não sendo contemplada no arranjo político liderado pela governadora, que optou por priorizar outras composições”.
Defesa da mudança
A posição favorável ao fim da escala 6×1 já havia sido manifestada anteriormente por Zenaide. Em declarações recentes, a senadora argumentou que a proposta representa um avanço na qualidade de vida dos trabalhadores, especialmente das mulheres.
Ao defender a mudança, a parlamentar destacou os impactos da jornada atual na convivência familiar. “Você imagina uma mãe de família que trabalha de segunda a sábado e só tem um dia de folga para olhar os filhos, muitas vezes porque passa a semana quase sem vê-los”, observou.
Para Zenaide, a alteração da jornada não representa prejuízo para o setor produtivo. “Não vai quebrar ninguém, nenhuma empresa. E vai melhorar a qualidade do trabalho, vai melhorar a vida psicológica das pessoas”, disse.
A senadora reconheceu que há resistência de setores empresariais, mas argumentou que a medida também pode gerar ganhos para empregadores. “Eu sei que tem uma resistência justamente do comércio e da indústria, mas eles vão ganhar com isso. Dois dias de descanso é o mínimo”, concluiu.
Entenda a proposta
A PEC que trata do fim da escala 6×1 prevê a substituição do atual modelo por uma jornada máxima de 40 horas semanais, distribuídas preferencialmente em cinco dias de trabalho e dois de descanso. O texto também proíbe qualquer redução salarial em decorrência da mudança.
A proposta estabelece ainda um período de transição para adaptação das empresas e busca ampliar a garantia de descanso semanal dos trabalhadores. Após aprovação em dois turnos na Câmara dos Deputados, no mês passado, a matéria agora aguarda votação no Senado Federal, etapa decisiva para que a mudança possa entrar em vigor.

